23/03/2007
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10h00
da Agência Folha, em Salvador
O governo da Bahia, do petista Jaques Wagner, decidiu aceitar indicações de partidos políticos para os cargos de diretores e vice-diretores das 1.856 escolas estaduais. A decisão foi comunicada aos colégios em circular emitida pelo secretário da Educação, Adeum Sauer.
Na circular, o secretário, que também é filiado ao PT, diz que as indicações políticas serão aceitas até a implantação de eleição direta nas escolas --promessa feita por Jaques Wagner na eleição de 2006.
Projeto de lei prevendo a eleição direta nas escolas ainda não foi encaminhado à Assembléia Legislativa --na circular, o secretário diz que a proposta será enviada pelo Executivo "até o final do ano". Na campanha, o então candidato Jaques Wagner prometeu estabelecer eleições diretas em todas as escolas do Estado até 2008.
Na circular, o secretário petista afirma que os cargos "serão designados considerando sugestões oriundas de partidos políticos, lideranças comunitárias, representação sindical dos trabalhadores em educação, bem como a análise do currículo acadêmico e do perfil dos futuros gestores".
A APLB (Sindicato dos Professores Licenciados da Bahia), que representa os professores das redes públicas municipal e estadual, criticou a circular.
"Enquanto não houver eleição direta, os diretores e vices devem ser indicados pela comunidade. Do jeito que o secretário quer, os cargos serão dos deputados, dos prefeitos ou dos vereadores alinhados com o governo, jamais da comunidade", disse o presidente da entidade, Rui Oliveira, filiado ao PC do B (Partido Comunista do Brasil).
O sindicalista Oliveira disse que a circular de Sauer é um "retrocesso". "Quem sabe da capacidade de um diretor são os professores, os alunos e os pais, jamais um deputado que, muitas vezes, nem sequer conhece como funciona uma escola pública."
Caça às bruxas
Até ontem, 171 diretores já haviam sido exonerados, de acordo com a Secretaria da Educação, e substituídos.
Em discurso no plenário da Assembléia Legislativa, o deputado Tarcízio Pimenta (PD), antigo PFL, acusou o secretário de promover uma "caça às bruxas" nas escolas de todo o Estado. "As exonerações e nomeações de novos diretores começaram em cidades administradas pelo PT, como Alagoinhas e Vitória da Conquista", afirmou.
Até o ano passado, de acordo com a APLB, a "comunidade escolar" apresentava uma lista com nomes de candidatos a diretor e vice. "Todo mundo envolvido na comunidade participava. Às vezes, as indicações eram respeitadas pelo governo; outras, não. Mas agora há um direcionamento explícito", disse Oliveira.
Na Bahia, há aproximadamente 50 mil professores e 1,3 milhão de estudantes matriculados na rede estadual.
O secretário faz parte da cota do PT no primeiro escalão. Ele foi presidente da União Nacional dos Dirigentes Municipais em Educação antes de ser nomeado pelo cargo.
Especial
Leia o que já foi publicado sobre escolas estaduais
Na Bahia, partidos vão indicar diretores de escola
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LUIZ FRANCISCOda Agência Folha, em Salvador
O governo da Bahia, do petista Jaques Wagner, decidiu aceitar indicações de partidos políticos para os cargos de diretores e vice-diretores das 1.856 escolas estaduais. A decisão foi comunicada aos colégios em circular emitida pelo secretário da Educação, Adeum Sauer.
Na circular, o secretário, que também é filiado ao PT, diz que as indicações políticas serão aceitas até a implantação de eleição direta nas escolas --promessa feita por Jaques Wagner na eleição de 2006.
Projeto de lei prevendo a eleição direta nas escolas ainda não foi encaminhado à Assembléia Legislativa --na circular, o secretário diz que a proposta será enviada pelo Executivo "até o final do ano". Na campanha, o então candidato Jaques Wagner prometeu estabelecer eleições diretas em todas as escolas do Estado até 2008.
Na circular, o secretário petista afirma que os cargos "serão designados considerando sugestões oriundas de partidos políticos, lideranças comunitárias, representação sindical dos trabalhadores em educação, bem como a análise do currículo acadêmico e do perfil dos futuros gestores".
A APLB (Sindicato dos Professores Licenciados da Bahia), que representa os professores das redes públicas municipal e estadual, criticou a circular.
"Enquanto não houver eleição direta, os diretores e vices devem ser indicados pela comunidade. Do jeito que o secretário quer, os cargos serão dos deputados, dos prefeitos ou dos vereadores alinhados com o governo, jamais da comunidade", disse o presidente da entidade, Rui Oliveira, filiado ao PC do B (Partido Comunista do Brasil).
O sindicalista Oliveira disse que a circular de Sauer é um "retrocesso". "Quem sabe da capacidade de um diretor são os professores, os alunos e os pais, jamais um deputado que, muitas vezes, nem sequer conhece como funciona uma escola pública."
Caça às bruxas
Até ontem, 171 diretores já haviam sido exonerados, de acordo com a Secretaria da Educação, e substituídos.
Em discurso no plenário da Assembléia Legislativa, o deputado Tarcízio Pimenta (PD), antigo PFL, acusou o secretário de promover uma "caça às bruxas" nas escolas de todo o Estado. "As exonerações e nomeações de novos diretores começaram em cidades administradas pelo PT, como Alagoinhas e Vitória da Conquista", afirmou.
Até o ano passado, de acordo com a APLB, a "comunidade escolar" apresentava uma lista com nomes de candidatos a diretor e vice. "Todo mundo envolvido na comunidade participava. Às vezes, as indicações eram respeitadas pelo governo; outras, não. Mas agora há um direcionamento explícito", disse Oliveira.
Na Bahia, há aproximadamente 50 mil professores e 1,3 milhão de estudantes matriculados na rede estadual.
O secretário faz parte da cota do PT no primeiro escalão. Ele foi presidente da União Nacional dos Dirigentes Municipais em Educação antes de ser nomeado pelo cargo.
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