Carreira militar tem seleção rigorosa e garante estabilidade
TOMOYUKI HONDAda Folha de S.Paulo
As escolas militares, tanto as que oferecem formação puramente militar como as que formam engenheiros, possuem cursos considerados bons, como ITA, e são bastante procuradas.
Na Escola Preparatória de Cadetes do Exército de Campinas (99 km a noroeste de São Paulo), mais de 17,7 mil inscritos disputaram as 470 vagas oferecidas em 1999 -uma relação alta, de 38 candidatos por vaga.
Para quem terminou o ensino médio, há opções como prestar vestibular para engenharia aeronáutica ou mesmo tornar-se combatente.
Os candidatos que já possuem nível superior têm a possibilidade de fazer parte do chamado Quadro Complementar ou entrar para a Escola de Saúde do Exército, por exemplo.
A carreira proporciona estabilidade de emprego, e há possibilidade de aperfeiçoamento por meio de cursos de especialização.
Em São Paulo, existe a Academia de Polícia Militar do Barro Branco, que faz a seleção de novos cadetes pelas provas da Fuvest.
Requisitos
Na primeira fase, o candidato presta o vestibular normalmente, mas na segunda só há provas de português e redação. Na fase eliminatória, são feitos exames psicológico, de saúde e físico.
Outros requisitos comuns em escolas militares são a idade máxima (26 anos) e a altura mínima (1,60 cm para mulher e 1,66 cm para homem).
Há ainda uma quarta fase, em que a vida e o perfil psicológico são investigados. Uso de droga ou furto podem impedir a admissão.
A academia oferece a cada ano 220 vagas, 187 para homens e 33 para mulheres.
Após todas as etapas, os candidatos aprovados no Curso de Formação de Oficiais, de nível superior, são admitidos. O cadete começa recebendo cerca de R$ 700.
Soraya Corrêa Gouvêa, 30, capitã da PM, instrutora de educação física e chefe da seção de orientação, diz que atualmente os candidatos têm perfil variado. Muitos têm parentes ou amigos policiais.
Curso exigente
Mas o que leva a entrar na carreira é o ideal, segundo Soraya. "(O futuro policial) tem que gostar da profissão porque ela é algumas vezes ingrata."
"Alguns acham que, após quatro anos estudando, passam para área administrativa. Nos dois primeiros meses, uma parte dos ingressantes -bem pequena- sai. O curso exige bastante empenho tanto físico quanto intelectual."
Na academia, os alunos acordam às 6h (regime de internato), têm estudos pela manhã, à tarde e à noite (nos dois primeiros anos).
Além disso, fazem policiamento na capital paulista e em eventos ao longo do ano, como Operação Verão, no litoral, Carnaval e corridas de Fórmula 1.
O curso inclui disciplinas como psicologia e direito e aquelas voltadas para a formação de policiais militares. Entre elas estão tiro defensivo, maneabilidade a cavalo e técnicas e táticas de policiamento.
Ao terminar o curso, o cadete é declarado aspirante-a-oficial e vai para batalhões de São Paulo.
Vinícius da Silva Figueiredo, 19, aluno do segundo ano, conheceu a profissão por amigos da família que são PMs em Assis (SP).
A maioria da turma, inclusive ele, diz, sonha entrar em tropas especializadas (cavalaria, choque etc.), que atuam em casos que envolvem risco, como rebeliões.
Mulheres
O Instituto Tecnológico da Aeronáutica, em São José dos Campos, tem o único curso de engenharia aeronáutica do país e um dos vestibulares mais disputados.
No ano passado, as primeiras alunas do ITA terminaram o curso, que admitiu o ingresso de mulheres em 1995.

