Educação
23/01/2001 - 13h09

Carreira militar tem seleção rigorosa e garante estabilidade

TOMOYUKI HONDA
da Folha de S.Paulo

As escolas militares, tanto as que oferecem formação puramente militar como as que formam engenheiros, possuem cursos considerados bons, como ITA, e são bastante procuradas.

Na Escola Preparatória de Cadetes do Exército de Campinas (99 km a noroeste de São Paulo), mais de 17,7 mil inscritos disputaram as 470 vagas oferecidas em 1999 -uma relação alta, de 38 candidatos por vaga.

Para quem terminou o ensino médio, há opções como prestar vestibular para engenharia aeronáutica ou mesmo tornar-se combatente.

Os candidatos que já possuem nível superior têm a possibilidade de fazer parte do chamado Quadro Complementar ou entrar para a Escola de Saúde do Exército, por exemplo.

A carreira proporciona estabilidade de emprego, e há possibilidade de aperfeiçoamento por meio de cursos de especialização.

Em São Paulo, existe a Academia de Polícia Militar do Barro Branco, que faz a seleção de novos cadetes pelas provas da Fuvest.

Requisitos
Na primeira fase, o candidato presta o vestibular normalmente, mas na segunda só há provas de português e redação. Na fase eliminatória, são feitos exames psicológico, de saúde e físico.

Outros requisitos comuns em escolas militares são a idade máxima (26 anos) e a altura mínima (1,60 cm para mulher e 1,66 cm para homem).

Há ainda uma quarta fase, em que a vida e o perfil psicológico são investigados. Uso de droga ou furto podem impedir a admissão.

A academia oferece a cada ano 220 vagas, 187 para homens e 33 para mulheres.

Após todas as etapas, os candidatos aprovados no Curso de Formação de Oficiais, de nível superior, são admitidos. O cadete começa recebendo cerca de R$ 700.

Soraya Corrêa Gouvêa, 30, capitã da PM, instrutora de educação física e chefe da seção de orientação, diz que atualmente os candidatos têm perfil variado. Muitos têm parentes ou amigos policiais.

Curso exigente
Mas o que leva a entrar na carreira é o ideal, segundo Soraya. "(O futuro policial) tem que gostar da profissão porque ela é algumas vezes ingrata."

"Alguns acham que, após quatro anos estudando, passam para área administrativa. Nos dois primeiros meses, uma parte dos ingressantes -bem pequena- sai. O curso exige bastante empenho tanto físico quanto intelectual."

Na academia, os alunos acordam às 6h (regime de internato), têm estudos pela manhã, à tarde e à noite (nos dois primeiros anos).

Além disso, fazem policiamento na capital paulista e em eventos ao longo do ano, como Operação Verão, no litoral, Carnaval e corridas de Fórmula 1.

O curso inclui disciplinas como psicologia e direito e aquelas voltadas para a formação de policiais militares. Entre elas estão tiro defensivo, maneabilidade a cavalo e técnicas e táticas de policiamento.
Ao terminar o curso, o cadete é declarado aspirante-a-oficial e vai para batalhões de São Paulo.

Vinícius da Silva Figueiredo, 19, aluno do segundo ano, conheceu a profissão por amigos da família que são PMs em Assis (SP).
A maioria da turma, inclusive ele, diz, sonha entrar em tropas especializadas (cavalaria, choque etc.), que atuam em casos que envolvem risco, como rebeliões.

Mulheres
O Instituto Tecnológico da Aeronáutica, em São José dos Campos, tem o único curso de engenharia aeronáutica do país e um dos vestibulares mais disputados.

No ano passado, as primeiras alunas do ITA terminaram o curso, que admitiu o ingresso de mulheres em 1995.
 

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