Alunos da USP discutem se ocupação prejudica negociações
CLAYTON FREITAS
da Folha Online
Alunos da USP (Universidade de São Paulo), que desde o dia 3 ocupam o prédio da reitoria, vão discutir até onde a continuidade da ocupação pode interferir nas conversas com a direção da universidade e o governo estadual. O anúncio foi feito nesta quarta-feira, em comunicado elaborado pelos próprios estudantes e enviado à imprensa.
A Justiça determinou a saída dos alunos do prédio no dia 16. Desde o dia 18 a Polícia Militar de São Paulo prepara uma ação para a retirada dos estudantes da reitoria, no entanto, ela não foi concretizada até agora devido às negociações que acontecem entre os alunos, governo estadual e a reitoria da universidade.
No comunicado os alunos negam que a reunião realizada na segunda-feira (28) com o secretário de Justiça, Luiz Antonio Marrey, e a reitora da USP, Suely Vilela, tenha terminado em impasse. Segundo eles, o que houve foi uma proposta feita pelos alunos ao governo --a de retirada dos decretos do governador José Serra (PSDB), entre eles o que cria a Secretaria de Ensino Superior e estabelece um maior rigor no acompanhamento das contas.
A contraproposta dada por Marrey, ainda segundo os alunos, foi a de que o governo não irá revogar os decretos, no entanto, Marrey teria se mostrado disposto a reescrever parte deles. Além dos estudantes, professores e funcionários defendem que a manutenção dos decretos irá ferir a autonomia das universidades estaduais paulistas.
Além da retirada dos decretos, os alunos pedem o aumento de um ponto percentual no repasse do ICMS (Imposto Sobre Circulação de Mercadorias e Serviços), de 30% para 31%, destinado à área de educação. Os demais pontos da lista de 17 reivindicações é tratado pelos estudantes como um assunto interno da comunidade acadêmica, e é nessa esfera que precisam ser discutidos, segundo informam.
O comunicado cita ainda que em nenhum momento da reunião Marrey e Suely condicionaram a continuidade das negociações à saída dos alunos do prédio. "O secretário foi explícito ao afirmar que a continuidade das negociações não estava condicionada à desocupação da reitoria da USP, embora entendesse que o processo de negociação seria mais tranqüilo se a reitoria fosse desocupada. O movimento estudantil da USP vai avaliar, nos seus fóruns apropriados, qual o impacto da manutenção da ocupação da reitoria da USP para as negociações", informa o comunicado.
Procurados para comentar o assunto nesta tarde, os alunos negam que a proposta seja um recuo em sua decisão de permanecer no prédio. No entanto, um aluno da comissão de imprensa da ocupação disse que o assunto será debatido em uma reunião a ser realizada pelos estudantes até a próxima sexta-feira.
Nesta quinta-feira (31), acontece um ato no Palácio dos Bandeirantes, no Morumbi (zona oeste de São Paulo), reunindo alunos, professores e servidores das três universidades estaduais paulistas. Além da USP, participam do ato a Unesp (Universidade Estadual Paulista) e Unicamp (Universidade de Campinas). Eles pretendem protestar em frente à sede do governo estadual contra os decretos.
Negociações
A decisão de manter a ocupação aconteceu durante uma assembléia dos alunos realizada após o encontro com Marrey. Na terça-feira (29) eles informaram que aguardam uma resposta da reitoria da USP e do governo estadual a respeito de uma nova reunião para discutir sua pauta de reivindicações.
Procurada hoje, a assessoria de imprensa da reitoria não confirmou sequer se uma nova reunião está confirmada. Marrey foi procurado por intermédio de seu assessor de imprensa, mas não foi localizado para comentar o assunto até as 16h30 de hoje.
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