Educação
31/05/2007 - 13h30

Serra cede e muda decretos que diminuiriam autonomia de universidades

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RENATO SANTIAGO
da Folha Online

Um decreto do governador José Serra (PSDB), publicado nesta quinta-feira no "Diário Oficial" do Estado, mudou cinco dos decretos publicados no início do ano e que desagradaram professores e estudantes das universidades públicas de São Paulo (USP, Unesp e Unicamp). A insatisfação culminou na ocupação da reitoria da USP, no Butantã (zona oeste de São Paulo), ocupada desde o último dia 3.

Em nota, o governo diz que o novo decreto apenas esclarece os anteriores, já que eles haviam sido alvo de "interpretações reiteradamente equivocadas", conforme afirma o "Diário Oficial". A própria nota, no entanto, admite que ele tem "força normativa".

O artigo 2º do decreto desta quinta muda quatro decretos anteriores, excluindo as universidades e a Fapesp. Nos textos originais, as medidas valiam para as autarquias ou fundações mantidas pelo Estado, sem exceção.

O novo decreto exclui as universidades e a Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo) de três decretos: o que proíbe a contratação de pessoal (51.471), o que exige a reavaliação de contratos e licitações (51.473) e o que estabeleceu a criação da Comissão de Política Salarial, subordinada o governador, que "fixa as diretrizes (..) em assuntos de política salarial".

Em relação ao decreto 51.461, que cria a Secretaria de Ensino Superior, as mudanças se referem a duas alíneas de um inciso do artigo 2º. As duas alíneas que, pelo novo decreto não se aplicam mais às universidades, são justamente as que declaram de competência da pasta a "ampliação das atividades de pesquisa" e políticas que "com vista a aumentar a percentagem de jovens que cursam a universidade".

O artigo 1º do decreto também garante independência orçamentária. De acordo com o texto, as universidades terão contas bancárias e "poderão efetuar transferências, remanejamentos, quitações, e tomar outras providências de ordem orçamentária".

Professores

A Adusp (associação dos professores da USP) recebeu o decreto com "um avanço" no movimento.

"É um avanço importante. Vamos agora avaliar mais profundamente para saber se tudo que os decretos tinham de problemas foram resolvidos", diz o vice-presidente da associação, Francisco Miraglia.

Alunos

Procurados para comentar o assunto, os alunos informaram que estudam o teor do decreto publicado hoje. Às 13h30, eles permaneciam em marcha até o Palácio dos Bandeirantes. Uma plenária --que não tem poder de decisão para desocupar ou não o prédio-- deverá ser realizada.

No entanto, a saída ou não do prédio da reitoria só deverá ser decidida em uma assembléia --espécie de reunião onde os alunos tiram decisões a respeito do que farão-- prevista para sexta-feira (1º).

O secretário-geral do Condepe (Conselho Estadual da Defesa da Pessoa Humana), Ariel de Castro Alves, considerou um recuo por parte dos governos e afirmou ser coerente os alunos se reunirem para avaliar a hipótese de desocuparem o prédio.

Com CLAYTON FREITAS, da Folha Online

 

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