Educação
06/06/2007 - 14h20

Discussões marcam manifestações pró e contra ocupação na USP

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da Folha Online

Atos de grupos contrários e favoráveis à ocupação da reitoria da USP (Universidade de São Paulo) foram realizados na manhã desta quarta-feira e acabaram em bate-boca entre os manifestantes. A confusão ocorreu no momento em que os dois grupos se encontraram na praça do Relógio, onde está localizada a antiga reitoria e local que abriga atualmente o CCS (Coordenadoria de Comunicação Social) da universidade.

O prédio da atual reitoria --localizado no número 109 da rua da Reitoria, distante pouco mais de 100 metros do antigo endereço-- está ocupado por estudantes da universidade desde o dia 3 de maio.

A caminhada contra a ocupação foi a primeira realizada por alunos, professores e servidores da universidade contrários à ocupação do prédio. O ato foi coordenado por um grupo intitulado "Ação Independente de Professores da USP" e consistiu em uma passeata que saiu da frente do monumento ao arquiteto Ramos de Azevedo --próximo ao IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas)-- por volta das 10h desta quinta-feira rumo a praça do Relógio, cerca de 1 km do local.

Farpas

Segundo Silvio Sawaya, diretor da FAU (Faculdade de Arquitetura e Urbanismo) da USP e um dos coordenadores do ato, cerca de 300 pessoas seguiram pela avenida Luciano Gualberto --uma das principais do campus-- até chegar a praça do Relógio. No local, cantaram o Hino Nacional e fizeram um abraço simbólico ao relógio.

Ao mesmo tempo, cerca de mil pessoas favoráveis à ocupação --entre eles professores, servidores e alunos-- ficaram do lado externo da reitoria ocupada. O grupo também abraçou o prédio em resposta ao ato do rival. Ao final, alguns manifestantes favoráveis à ocupação foram até a praça do Relógio, onde se concentrava o grupo contrário.

"Nós imaginávamos que iríamos encontrar um verdadeiro fenômeno da pororoca [grande onda de alguns metros de altura que ocorre, em certas épocas, em rios muito volumosos]. Pelo que vimos, não passou de um veio de água de esgoto", ridicularizou a diretora do Sintusp (Sindicato dos Trabalhadores da USP), Neli Wada. Ela afirmou ainda que o ato contrário à ocupação foi arquitetado por pessoas ligadas à reitora Suely Vilela e reuniu "meia dúzia de diretores próximos a reitora".

Sawaya classificou as declarações de Neli como "apelativas". Segundo ele, o ato nasceu de uma necessidade inicialmente detectada por professores de expressar sua posição contrária à ocupação. Para ele, a ocupação é que representa a minoria. "Se formos avaliar que somos em cerca de 100 mil [entre alunos, professores e servidores] e apenas cerca de 3.000 ocupam o prédio, chegaremos a conclusão de que isso que se apresenta é apenas o desejo de 3% do total", afirmou.

Ele disse ainda que a idéia inicial do grupo era a de seguir em passeata até a frente do prédio da reitoria ocupada. No entanto, poderia dar margem a tumultos e chamaria a atenção da Polícia Militar. Sawaya afirmou ser contrário à presença da PM no campus e a retirada dos alunos pela tropa de choque. Desde o dia 18 de maio, o Comando de Policiamento de Choque arquiteta uma ação para acompanhar a reintegração de posse no prédio, decidida pela Justiça no dia 16 de maio.

Nesta quarta, professores, servidores e professores das três universidades públicas paulistas se reúnem na reitoria ocupada --além da USP, participam Unesp (Universidade Estadual Paulista) e Unicamp (Universidade de Campinas). Na pauta estão as reivindicações conjuntas dos grupos e atividades culturais, segundo os organizadores.

 

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