Estudantes da USP fazem assembléia e sinalizam desocupar reitoria
da Folha Online
da Folha de S.Paulo
Em assembléia que terminou no início da madrugada desta quarta-feira, estudantes da USP (Universidade de São Paulo) deram um indicativo de desocupação da reitoria --invadida desde o dia 3 de maio. É o primeiro sinal de recuo desde o início do protesto.
A assembléia, que teve de 200 a 300 pessoas (no auge do movimento, essas reuniões chegaram a atrair 2.000 estudantes), foi marcada pela divisão de posições e a troca de acusações entre os grupos. Os favoráveis à desocupação acusavam seus adversários de terem desaparecido durante o feriado prolongado. O grupo que defende a permanência da invasão dizia que recuar seria demonstração de fraqueza. A USP tem 80.589 alunos.
A saída, porém, foi condicionada a discussão com a reitora Suely Vilela de quatro pontos que, se atendidos, podem significar a desocupação dos alunos do prédio de forma pacífica. Um desses itens cita que a reitora deve manter a última contraproposta apresentada aos alunos, fruto das reuniões realizadas em maio.
Essa contraproposta, citada em um comunicado emitido no último dia 4, após uma reunião com uma comissão de alunos, estabelece a disposição de se criar um grupo, denominado Comissão de Gestão Pós-Ocupação, composto por 16 integrantes, sendo oito professores e oito alunos ou funcionários, para discutir as reivindicações dos alunos e funcionários não atendidas na contraproposta apresentada pela reitora. Na manhã desta quarta a comissão de negociação marcou uma reunião, às 10h.
Ato
Como já está programado um encontro nacional de estudantes no sábado (16), na própria reitoria, o fim da invasão não deve ocorrer antes dessa data. Entre as reivindicações dos estudantes estão a não-punição aos invasores e a manutenção dos pontos já aceitos pela reitora (como refeições aos domingos, transporte nos fins de semana e a construção de 198 moradias).
Os estudantes e servidores enviaram ontem ofícios à reitora pedindo a reabertura das negociações a respeito da pauta de reivindicações formulada por eles.
Protesto
Estudantes e servidores fazem uma greve parcial contra decretos do governador José Serra (PSDB-SP) que, para eles, ferem a autonomia universitária.
No fim de maio, Serra publicou novo decreto assegurando a autonomia. Anteontem, os professores encerraram sua greve, satisfeitos com a medida e com o reajuste salarial proposto --os do campus de Ribeirão fizeram o mesmo ontem--, mas os servidores votaram pela manutenção da paralisação.
Funcionários e professores
Em assembléia realizada na segunda-feira (11), os funcionários da USP decidiram manter a greve iniciada no último dia 16 de maio. O movimento ocorre em solidariedade à greve dos alunos. Mais cedo, no mesmo dia, os professores decidiram suspender a greve que começou em 23 de maio.
Paralelamente, os docentes da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) optaram, também na segunda-feira, por permanecer em greve. Os professores da USP retomaram as aulas ontem (12).
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