Educação
13/06/2007 - 14h33

Reitora da USP quer proposta por escrito; alunos tentam reunião

da Folha Online

Os estudantes da USP (Universidade de São Paulo) que ocupam a reitoria da universidade desde o dia 3 de maio insistem em tentar marcar uma reunião ainda nesta quarta-feira com a reitora, Suely Vilela, para apresentar quatro condicionantes que, se atendidas, podem significar a saída pacífica do prédio. A reitora só admitiu receber as propostas por escrito. Somente depois disso ela vai decidir se recebe ou não os alunos ou dá uma resposta por escrito a eles.

O impasse marca a permanência dos alunos no local. A reitoria tenta desde o primeiro dia da ocupação tirá-los da reitoria. No dia 16 de maio foi expedido um mandado de reintegração de posse pela Justiça e desde o dia 18 a tropa de choque da Polícia Militar tem um plano para atuar, se necessário. A possibilidade do uso da força para retirada dos estudantes e servidores do prédio foi citado pelo governo estadual nesta semana.

Em assembléia iniciada na terça-feira (12), e só concluída no começo da madrugada desta quarta, os alunos sinalizaram que poderiam deixar o local caso conseguissem a reunião com a reitora e se tivessem a garantia de que suas condicionantes seriam atendidas. Eles haviam inclusive marcado uma reunião da comissão de negociação da ocupação para às 10h com a finalidade de discutir os pontos definidos na assembléia, no entanto, por falta de quórum, ela não havia iniciado até as 14h. Eles pretendem se reunir ainda hoje, sem horário definido.

Em comunicado publicado no blog que mantêm na internet, os alunos citam as quatro condicionantes definidas em assembléia; não serem punidos --assim como os funcionários-- pelo que consideram atividades políticas e de greve na ocupação; manutenção de todos os pontos da última contraproposta apresentada pela reitora; audiência pública para discutir o Inclusp (Programa de Inclusão Social da USP), já aprovado pelo CO (Conselho Universitário), e, por fim, eles querem o reconhecimento da legitimidade do 5º Congresso Geral da USP para discutir a estatuinte --alusivo à Constituinte, só que no caso da USP a intenção é reformular o estatuto vigente.

A retomada das negociações com a reitoria e a apresentação da contraproposta pode significar uma "possível desocupação", cita ainda o comunicado veiculado no blog. Os alunos afirmam ainda que só farão uma nova assembléia para decidir se desocupam ou não o prédio um dia após serem recebidos pela reitora.

Impasse

A reitora afirmou nesta quarta, por meio de sua assessoria de imprensa, que só irá receber a proposta dos alunos por escrito e referendada em assembléia. Somente depois de receber o documento ela decidirá o que fazer. A assessoria afirmou que a reitora desconhece a posição dos alunos de pedir uma reunião antes de realizar uma nova assembléia.

O posicionamento de Suely é o mesmo adotado no dia 4 último, após uma reunião com a comissão de alunos. O comunicado citava que a comissão de negociação dos estudantes deveria enviar uma proposta concreta, aprovada em assembléia dos estudantes, e com a menção de que a permanência das concessões anteriores feitas pela reitoria --entre elas expandir as refeições concedidas, ampliar o horário de circulação de ônibus. O documento informa ainda que se essas condições forem atendidas pelos alunos, as demais reivindicações --a lista completa é composta por 18 itens-- serão analisadas por uma futura comissão a ser criada na USP, a Comissão de Gestão de Pós-Ocupação, integrada por 16 componentes, sendo oito professores e oito alunos ou servidores.

Aulas

Apesar de os docentes decidirem em assembléia voltar ao trabalho na última terça (12), não é possível, segundo a reitoria, saber qual é o índice de adesão dos alunos às aulas. Isso ocorre por diversos fatores que vão desde a greve de estudantes de algumas unidades e a de servidores, que em alguns casos inviabiliza a realização das aulas.

 

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