Alunos da USP insistem em reunião com reitora; telefonemas estão vetados
CLAYTON FREITAS
da Folha Online
Os estudantes da USP (Universidade de São Paulo) que ocupam o prédio da reitoria desde o dia 3 de maio insistem na reabertura das negociações com a reitora Suely Vilela. O setor que cuida da telefonia na USP confirmou nesta segunda-feira que o sistema que gerencia os ramais existentes no prédio ocupado estão bloqueados para realizar chamadas fora do campus.
Hoje pela manhã os alunos protocolaram uma solicitação pedindo que seja marcada uma data para que eles possam discutir quatro condicionantes estipuladas por eles que, se aceitas, podem significar a desocupação do prédio.
O protocolo da carta foi confirmado pela assessoria de imprensa da reitoria. Ela foi recebida pelo professor Alberto Carlos Amadio, chefe-de-gabinete da reitora.
Ainda hoje, alunos foram até Campinas (95 km a noroeste de São Paulo), para tentar entregar uma outra cópia, só que diretamente às mãos da reitora, que participa da reunião do Fórum das Seis --entidade que integra os servidores e funcionários das três universidades paulistas: USP, Unesp (Universidade Estadual Paulista) e Unicamp (Universidade Estadual de Campinas.
A assessoria de imprensa da reitora não confirmou se ela receberá ou não os alunos. Em entrevista (versão só para assinantes) à Folha publicada na edição deste domingo (17), Suely disse que só retomará as negociações caso os alunos desocupem o prédio.
Depois da passeata realizada na última sexta-feira (15), os ocupantes da USP e de diversas instituições de ensino público do país realizaram uma plenária nacional no sábado (16). Nela, ficou decidido que serão realizadas mobilizações a partir de agosto, aos moldes da realizada na USP, com possibilidade de ocupações nos prédios.
Nesta terça-feira (19), às 20h, os alunos realizam uma reunião do comando geral da greve, para discutir os rumos da paralisação e atividades que serão realizadas. A reunião não irá decidir pela desocupação ou não do prédio, pois esse tema é tratado durante as assembléias. Os alunos afirmam que só realizarão uma nova assembléia --a última foi na terça (12)-- um dia depois de serem recebidos em reunião pela reitora.
Reivindicações
Em comunicado publicado no blog da ocupação, os alunos citam as quatro condicionantes definidas em assembléia e que, se atendidas, podem significar a desocupação; não serem punidos --assim como os funcionários-- pelo que consideram atividades políticas e de greve na ocupação; manutenção de todos os pontos da última contraproposta apresentada pela reitora; audiência pública para discutir o Inclusp (Programa de Inclusão Social da USP), já aprovado pelo CO (Conselho Universitário), e, por fim, eles querem o reconhecimento da legitimidade do 5º Congresso Geral da USP para discutir a estatuinte --alusivo à Constituinte, só que no caso da USP a intenção é reformular o estatuto vigente.
Mudo
Os alunos que ocupam o prédio da USP estão proibidos de utilizar os telefones instalados no local para realizar ligações externas. Existe a suspeita de que eles tenham feito ligações para diversas partes do país e também do exterior. Os ramais que atendiam ao gabinete da reitoria, departamento jurídico e secretaria geral foram transferidos para outro local.
Embora a medida tenha sido tomada há quase um mês, ela só foi confirmada hoje pelo coordenador da CTI (Coordenadoria de Tecnologia da Informação) da USP, Gil da Costa Marques. Segundo ele, com a medida, os cerca de 700 ramais existentes no prédio só podem receber ligações externas e ligar para outros ramais do próprio campus. Não é possível, por exemplo, se valer da linha para acessar a internet.
"Não poderíamos desligar as linhas pois teríamos o risco de problemas para manutenção dos números", explica Marques. Segundo ele, existem sete tipo de configurações das linhas telefônicas, e a espécie que foi mantida no prédio da reitoria é a mais básica. Elas são programáveis e será possível reativá-las quando os alunos desocuparem o prédio.
O coordenador afirmou que as ligações realizadas do período em que os alunos ocuparam o prédio --no final da tarde do dia 3 de maio-- até o momento em que elas tiveram seu sistema mudado passará por vistoria para saber se foram realizadas para chamadas DDD (Discagem Direta à Distância) e DDI (Discagem Direta Internacional). O relatório será enviado à direção da universidade, que é quem irá decidir se os valores serão cobrados ou não dos alunos.
Colaborou a Folha de S. Paulo

