Educação
16/07/2007 - 17h30

Em carta, estudantes da USP assumem parte dos danos de prédio da reitoria

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CLAYTON FREITAS
da Folha Online

Os estudantes da USP (Universidade de São Paulo) que durante 51 dias ocuparam o prédio da reitoria divulgaram uma carta nesta segunda-feira em que assumem parte dos danos causados ao prédio e afirmam que era impossível impedir a entrada de pessoas "má intencionadas" (sic) às dependências do local.

A Polícia Civil investiga os responsáveis pela ocupação e os eventuais danos causados ao prédio e se algo foi furtado do local. Uma perícia realizada no local após a saída dos alunos constatou mesas reviradas e crateras no forro.

A ocupação --os alunos rejeitam o termo invasão até hoje-- teve início no dia 3 de maio e durou até o dia 22 de junho. Os alunos alegam que queriam entregar uma pauta de reivindicações mas não foram atendidos.

Na carta --também disponível no blog que os estudantes ainda mantém na internet-- os alunos informam que desde o início da ocupação foi criada uma comissão de segurança para cuidar do prédio. Essa comissão, segundo a carta, era responsável por limitar o acesso às dependêncais do prédio, principalmente dos profissionais da imprensa.

No entanto, ainda segundo a carta, não era possível existir garantias efetivas de controle total. "Devido ao grande número de pessoas que passava pela ocupação diariamente, uma vez que o movimento abriu as portas da reitoria para toda a comunidade USP e outras universidades, não poderiam existir garantias efetivas para um controle total das condições de segurança do prédio, uma vez que seria impossível impedir a entrada de pessoas má intencionadas", informa um trecho da carta.

Os ocupantes alegam que não era possível precisar o que de fato ocorreu, pois, segundo eles, uma vistoria nas dependências do prédio seria realizada logo após a saída dos alunos. Assim que os estudantes saíram, integrantes da Guarda Universitária impediram o acesso do público ao local. Os únicos autorizados a circular em todas as dependências foram os peritos da Polícia Civil e integrantes da direção da universidade. No sábado (23 de junho), um dia após a desocupação, os repórteres puderam vistoriar apenas o andar térreo.

Por isso, segundo os alunos, "não é possível reconhecer os números amplamente alardeados na imprensa que supostamente dariam a conta dos danos ao patrimônio público", segundo trecho do documento.

Danos

Os alunos assumem, entretanto, danos causados na porta principal e de um vidro de uma porta de acesso. Eles alegam que isso ocorreu devido à pressão e do número excessivo de pessoas que entraram ao mesmo tempo no dia da invasão.

De acordo com os alunos, a motivação foi política. "Entendemos que, os danos causados pela entrada no prédio, da porta principal e de um vidro de uma porta de acesso, no dia 3 de maio, decorreram da pressão e do número excessivo de pessoas que entraram ao mesmo tempo devido ao inconformismo de ver as portas da reitoria sendo fechadas enquanto pedíamos um diálogo com o vice-reitor; não cabendo, portanto, nenhum tipo de punição a ninguém, uma vez que o ato foi puramente político".

Em relação aos furtos, os alunos exigem provas "irrefutáveis". "Quanto a supostos furtos, entendemos que punições sem provas cabais e irrefutáveis que dêem conta de identificar precisamente o autor de um ato de furto determinado será interpretado pelo movimento como um ato de punição política", informa a carta.

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