Alunos realizam assembléia para discutir ocupação na PUC-SP
CLAYTON FREITAS
da Folha Online
Alunos dos centros acadêmicos da PUC (Pontifícia Universidade Católica) de São Paulo realizam nesta terça-feira assembléias para discutir a ocupação realizada na noite de segunda-feira (5) no prédio da reitoria.
A ocupação ocorreu após uma audiência pública promovida pela direção da universidade no Tuca, o teatro da PUC. O objetivo era discutir o chamado "redesenho institucional" da universidade, plano de reestruturação cujo objetivo, segundo a direção, é "dar à universidade novas estruturas que permitam dinâmicas mais ágeis e integradas para a realização de suas atividades-fim". Estudantes contrários à medida, porém, alegam que ela aumenta a centralização das decisões, acaba com a autonomia dos cursos e impõe uma "lógica de mercado", privilegiando os cursos que geram mais lucro.
Segundo alunos que não quiseram se identificar, as decisões tomadas em cada uma das assembléias serão discutidas em nova reunião, marcada para as 19h. O clima é de tranqüilidade, e as assembléias não interferem nas aulas.
As polícias Civil e Militar, que durante a madrugada permaneceram no campus, não retornaram nesta terça, segundo os alunos.
Boletim de ocorrência
A direção da universidade registrou boletim de ocorrência por danos qualificados, pois alegou, segundo registro feito no 23º DP (Perdizes), que os universitários derrubaram uma parede e danificaram equipamentos como computadores, aparelhos de fax e telefones e mesas. Os alunos negam danos e agressões.
Na manhã desta terça, a direção da PUC esteve reunida para avaliar qual decisão seria tomada. Em nota distribuída pela assessoria de imprensa, a universidade afirma que que os alunos agrediram os seguranças durante a ocupação e classificou a atitude como "violenta e antidemocrática".
A universidade afirma que não irá tolerar a atitude e que é preciso agir "com rigor" e dentro da lei para manter o patrimônio cultural e físico da universidade. A nota não informa, entretanto, se a PUC vai pedir à Justiça a reintegração de posse do prédio ocupado.
Temor
A reportagem apurou que estudantes de alguns cursos, como o de direito, são contrários à ocupação, pois temem não conseguir a emissão do diploma de conclusão do curso em tempo de prestar o Exame da Ordem da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil).
A justificativa é de que, se a ocupação se prolongar, o diploma só deve sair após a realização do exame, o que impede que os bacharéis possam exercer a profissão, caso sejam aprovados pela OAB.
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