Alunos mantêm ocupação na PUC-SP e pedem cancelamento de mudanças
da Folha Online
Os alunos da PUC (Pontifícia Universidade Católica) de São Paulo permanecem na reitoria da universidade, invadida na segunda-feira (5). Ontem, os estudantes desrespeitaram o prazo estipulado pela direção da universidade para saída do prédio --em ofício, assinado em nome da reitoria da universidade, os estudantes deveriam desocupar o local até as 18h.
Os estudantes invadiram o prédio da reitoria, localizado no campus Monte Alegre (zona oeste de São Paulo), na segunda em protesto à mudanças que estão sendo estudadas pela administração denominadas redesenho institucional. A ocupação foi definida após uma audiência pública que reuniu alunos, professores, funcionários e a direção da PUC.
Segundo o blog que os alunos mantém na internet --molde de comunicação inspirado na
ocupação da reitoria da USP que durou 51 dias -- ontem eles estiveram reunidos em assembléia em frente ao Tuca. Segundo o blog, estiveram presentes 700 alunos.
De acordo com o comunicado, eles elaboraram um conjunto de reivindicações. Os alunos informam que querem a supressão da votação do redesenho institucional, retirada dos projetos, abertura dos livros de contas da universidade e rematrícula imediata dos inadimplentes. Eles não querem ser punidos e pedem a retirada das queixas contra os estudantes.
Os estudantes que invadiram o prédio da reitoria afirmam ainda defender uma política de assistência estudantil e autonomia dos cursos e dos departamentos. Os alunos deverão se reunir novamente na quinta (8) e dessa vez a assembléia será geral e contará com funcionários e professores.
Os alunos querem ainda propor aulas a respeito das mudanças propostas pela reitoria, e dizem que formaram uma comissão composta por nove estudantes de nove cursos da PUC para iniciar negociações com a reitoria. Ninguém foi localizado na PUC para comentar o assunto.
Proposta
O ofício enviado pela reitoria aos alunos foi entregue por volta das 14h de ontem. Nele,a reitoria afirmava que não puniria os alunos pela ocupação do prédio, desde que eles saíssem das dependências até o prazo determinado.
O ofício informava, ainda, que a universidade se comprometia a dar continuidade ao diálogo, mas estipulava a formação de uma comissão de seis representantes para discutir as reivindicações dos alunos quanto ao redesenho institucional. A medida, entretanto, teria validade apenas se os estudantes deixassem o prédio, o que não foi feito.
Procurada na noite de ontem, a direção da universidade informou que não iria se manifestar.
Ocupação
A ocupação ocorreu após uma audiência pública promovida pela direção da universidade no Tuca, o teatro da PUC. O objetivo era discutir o chamado "redesenho institucional" da universidade, plano de reestruturação cujo objetivo, segundo a direção, é "dar à universidade novas estruturas que permitam dinâmicas mais ágeis e integradas para a realização de suas atividades-fim".
Estudantes contrários à medida, porém, alegam que ela aumenta a centralização das decisões, acaba com a autonomia dos cursos e impõe uma "lógica de mercado", privilegiando os cursos que geram mais lucro.
A direção da universidade registrou boletim de ocorrência por danos qualificados, pois alegou, segundo registro feito no 23º DP (Perdizes), que os universitários derrubaram uma parede e danificaram equipamentos como computadores, aparelhos de fax e telefones e mesas. Os alunos negam danos ou agressões.
Uma estudante do curso de jornalismo, que não quis dizer o nome e se identificou como integrante da comissão de comunicação da ocupação, afirmou, no entanto, que uma divisória de madeira foi retirada do local, mas não danificada, pois seria móvel.
Reclamação
Segundo os alunos, a reunião realizada na segunda-feira à noite a respeito do redesenho institucional ocorreu em época imprópria, durante as provas de final de semestre. Eles dizem que tentavam marcar a audiência pública desde maio, mas a reitoria só determinou a data para ontem.
Outro questionamento dos alunos é de que o Conselho Universitário votará o redesenho institucional no dia 12 de dezembro, quando muitos representantes dos alunos do conselho estarão em férias.
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