Psicóloga defende que pais e filhos assumam seus papéis sociais
GABRIELA MANZINI
da Folha Online
A psicóloga e consultora em educação Rosely Sayão afirmou nesta quinta-feira, durante sabatina promovida pela Folha, que os pais de hoje abdicam do papel de adultos para acompanhar os filhos que, por isso, tendem a continuar sempre no papel de filhos.
"Os jovens permanecem jovens porque o mundo é dos jovens e porque eles olham para os adultos e percebem que os adultos estão voltando. Então, para que ir?"
Para a psicóloga, cada vez mais, os pais "protegem os filhos da vida", ensinando a eles muitos direitos e poucos deveres. Desta forma, os filhos crescem acreditando que sempre haverá um adulto disposto a se responsabilizar por eles.
É em nome da autonomia que a psicóloga defende que os pais retomem lições sobre a divisão entre público e privado e, por exemplo, desencorajem os filhos a contá-los sobre a vida sexual. Para ela, fazê-lo sem constrangimento algum é sinal de uma incapacidade de diferenciar a vida íntima da social.
Devido a essa superproteção é que, na opinião de Sayão, cada vez mais pessoas chegam aos 20 anos como adolescentes. "Nós, que não queríamos ser pais tiranos, construímos filhos tiranos."
Consumo
Questionada sobre o consumo de drogas, Sayão disse acreditar que, atualmente, a prática está muito mais próxima do consumo que da angústia. "Hoje não é preciso ser problemático e ter pais ausentes. Basta ser jovem para ser pressionado a consumir."
O consumo, para a psicóloga, influencia também na escolha profissional --"as profissões poderiam ser formas de mudar o mundo, mas os adolescentes de classe média as vêem apenas como forma de garantir a vida"-- e até na decisão de ter filhos.
Evento
A sabatina foi realizada no Teatro Folha (shopping Pátio Higienópolis, em São Paulo). O evento começou por volta das 11h10 e, por duas horas, ela respondeu a perguntas de quatro entrevistadores e da platéia.
Rosely Sayão, colunista da Folha, escreve às quintas no caderno Equilíbrio. Ela é autora, entre outras obras, de "Sexo é Sexo" (Cia. das Letras) e "Como Educar Meu Filho?" (Publifolha).
Com Folha de S.Paulo
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