Fim da DRU liberaria mais de R$ 7 bi ao ano para educação, diz Haddad
GABRIELA MANZINI
da Folha Online
O ministro da Educação, Fernando Haddad, afirmou nesta sexta-feira que a extinção da DRU (Desvinculação das Receitas da União) liberaria mais de R$ 7 bilhões ao ano para a educação. Para ele, desde que foi criada, há 12 anos, a DRU desviou R$ 50 bilhões da área.
Nesta semana, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, colocou a redução progressiva do percentual de verbas da educação desviados pela DRU como uma das concessões que o governo estaria disposto a fazer em troca da aprovação da prorrogação da CPMF até 2011.
Segundo Haddad, a proposta era discutida nos bastidores havia três meses e conta com apoio no Congresso Nacional. "Nós temos hoje uma economia que permite essa reivinculação [dos gastos com educação]."
O ministro da Educação participou nesta sexta, em São Paulo, de um encontro nacional promovido pelo movimento Todos pela Educação.
Professores
Em discurso realizado na abertura do encontro, o ministro defendeu a aprovação pelo Congresso de um projeto de lei que cria um piso nacional de R$ 950 para professores da rede pública, a partir de 2010. Segundo ele, atualmente, no Nordeste, cerca de 20% dos professores recebem apenas um salário mínimo.
Haddad ainda criticou a tendência de que professores formados em universidades públicas trabalhem em escolas particulares e professores formados em universidades particulares trabalhem em escolas públicas. Para ele, o governo precisa assumir a formação dos docentes.
"Ninguém mais do que o professor quer fazer algo pelo país, mas o governo precisa estender a mão."
Metas
O movimento Todos pela Educação defende o cumprimento de cinco metas até 2022, quando se comemora o bicentenário da independência do país. "Se não cumprirmos a agenda proposta, vamos, em 2022, ler as mesmas manchetes no jornal."
Nesta sexta foi divulgado o resultado de testes sobre o nível de educação em ciências feitos pela OCDE (Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico). O Brasil ficou entre os últimos lugares. "Nossa Copa é em 2022", disse Haddad.
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