Educação
06/12/2007 - 23h00

Aluno da 6ª série cola professora em cadeira no Paraná

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JOSÉ MASCHIO
da Agência Folha, em Rolândia (PR)

Uma professora de matemática do Colégio Estadual Padre José Herions, de Rolândia, norte do Paraná, foi colada na cadeira por um estudante em plena sala de aula. A cola acabou provocando queimaduras de primeiro grau na professora, que tem 35 anos. A Polícia Civil abriu procedimento contra o estudante, de 14 anos, e outros dois colegas que teriam participado da agressão, ocorrida na última segunda-feira (3).

A cola de secagem rápida foi passada na cadeira, onde a professora sentaria, no intervalo entre a primeira e a segunda aula da turma da 6ª série. Nenhum aluno avisou a professora da cola.

"Percebi que os alunos haviam sido intimidados para não denunciar a cola na cadeira. Teve um aluno que, assim que gritei de dor, entrou em choque gritando que não havia sido ele. Volto ao trabalho na segunda, mas não para essa série. Ainda estou em choque", disse ontem a professora, que pediu para não ser identificada.

Segundo ela, além das dores provocadas pela queimadura --da reação química entre a cola e o verniz da cadeira--, ela se sentiu humilhada com a situação. "Quando sentei, senti queimaduras. Eu levantei já chorando de dor. A cadeira veio junto, colada. Tirei a calça e a sorte é que estava com um blusa longa, senão ficaria seminua perto dos alunos. A intenção era machucar. Se estivesse de vestido, um tecido fino, as lesões seriam maiores", disse ela.

O delegado da Polícia Civil em Rolândia (381 km ao norte de Curitiba), Walter Helmut Echert Júnior, 42, disse que os dois outros estudantes, também com 14 anos, estão envolvidos na agressão. "O adolescente confessou que colocou a cola na cadeira no intervalo entre as aulas. Os dois outros tiveram participação: um teve a idéia e um outro sabia do plano e não alertou a escola."

O estudante agressor tem um histórico de indisciplinas na escola, mas não possui infrações penais, de acordo com Echert Júnior. Ele disse que irá ouvir o adolescente apontado como o autor da idéia e depois encaminhar seu procedimento ao Ministério Público. Caberá à Promotoria da Infância e da Juventude solicitar à Justiça as medidas socioeducativas cabíveis.

O adolescente foi suspenso preventivamente por três dias e a direção do colégio comunicou o Conselho Tutelar e seus familiares sobre a agressão. "Foi um ato infracional grave, mas foi pontual e não podemos generalizar. Temos 1.400 alunos em três turnos e um caso desses é raro", afirmou a vice-diretora Sanlay Miriam Minelli, 43. Segundo ela, o aluno não deve ser expulso da escola, freqüentada por alunos de classe média baixa.

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