Educação
26/01/2008 - 18h42

Multidisciplinares: Em formação, maioria dos cursos ganha nota regular

Colaboração para a Folha de S.Paulo

O número de cursos da área de multidisciplinares cresceu 45% de 2004 a 2006. Hoje são 145, e a maioria (54%) recebeu nota três --três foram descredenciados.

"Essa é a área que mais cresce porque está havendo uma mudança no conhecimento. Ainda está muito desigual em termos de qualidade", pondera o diretor de avaliação da Capes, Renato Janine Ribeiro.

Luiz Bispo/Folha Imagem
André Machado faz mestrado em agronegócios na Federal de Minas
André Machado faz mestrado em agronegócios na Federal de Minas

Ele conta que há demanda de universidades para credenciar cursos principalmente nas áreas de educação, direito e administração. "Mas essas áreas são muito rigorosas, o que acaba refletindo nos cursos multidisciplinares", comenta.

"Muitas universidades pequenas decidiram unir departamentos e docentes com título de doutor para viabilizarem programas de graduação", explica o ex-representante da área, Carlos Nobre.

Um dos campos em destaque foi o de agronegócios, uma das atividades da economia brasileira que mais cresceram nos últimos anos. Para acompanhar a tendência, universidades criaram pós nesse tema.

Uma das mais novas é a da UFG (Universidade Federal de Goiás). Criado em 2006, o curso foi avaliado uma vez, por isso, segundo a coordenadora do mestrado Francis Lee Ribeiro, receber três era esperado.

As disciplinas oferecidas pela UFG abarcam áreas da economia, da sociologia e da administração. "O foco é estudar estratégias regionais para manter e ampliar a competitividade do agronegócio na região do Centro-Oeste e assegurar a devida atenção a questões de sustentabilidade ambiental e inclusão social", explica Ribeiro.

Uma das dificuldades do programa da UFG é quanto ao número restrito de bolsas oferecidas aos estudantes pela Capes, porque um dos critérios para a distribuição é justamente a avaliação do curso.

Além disso, segundo Ribeiro, o Estado ainda não conseguiu consolidar uma fundação estadual de apoio à pesquisa, algo que ocorre em São Paulo por meio da Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo).

O mestrando André Grossi Machado, 27, espera que esse curso seja mais divulgado nos próximos anos.

"A troca de experiências entre colegas das mais variadas origens e situações, que lidam com problemáticas específicas do agronegócio de suas regiões, pode colaborar com a criação de alternativas mais eficientes para questões do agronegócio goiano e brasileiro."

Portas fechadas

Segundo Nobre, os cursos descredenciados tinham problemas comuns. "Houve pouca produção científica e não têm sido formados mestres e doutores, em qualidade e em quantidade, que possam justificar a continuação da pós-graduação", sentencia.

Um ponto negativo, segundo a Capes, foi a precária infra-estrutura. "Na avaliação de 2004, o descredenciamento do curso da federal de Alagoas havia sido indicado", diz Nobre.

Confira as notas dos cursos Multidisciplinares

 

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