Educação
05/02/2008 - 09h10

Jovem amadurece com reprovação no vestibular

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LUISA ALCANTARA E SILVA
FERNANDA CALGARO

Depois de um ano de estudos, é difícil ver as listas de chamadas e não achar o seu nome, ou achá-lo, mas numa classificação muito longe da aprovação. Embora seja difícil, o melhor é aceitar a situação e aprender a lidar com isso. Segundo especialistas em comportamento, o "não passar" é até positivo, pois faz o jovem a amadurecer.

"Saber encarar a realidade é um dos traços da pessoa adulta", diz o terapeuta Geraldo Massaro, supervisor do departamento de Psiquiatria do Hospital das Clínicas de São Paulo. "Vivemos num mundo de alta competitividade e é bom o vestibulando aprender que nem sempre vai ganhar na vida."

A psicóloga Celi Piernikarz tem a mesma opinião. "É muito importante saber lidar com perdas. Elas fazem parte do crescimento e vão ajudar o adolescente a entrar na vida real." Segundo Piernikarz, a desaprovação tem "claro, o lado negativo, mas o positivo é que ele vai passar por um processo de auto-conhecimento, para saber do que ele é capaz."

A tão sonhada aprovação no vestibular da Fuvest levou três anos para Barbara Nogueira Palmieri, 21. Aluna do segundo ano do curso de nutrição, ela se diz superfeliz. "Estou realizada. O esforço todo valeu a pena."

E o que diz sobre ficar três anos no cursinho? "Não me arrependo. Foi uma época de muitos aprendizados. Passei a ser mais organizada e a lidar melhor com o tempo."

Patrícia Gugliotta, psicóloga, diz que o vestibulando que não é aprovado deve, primeiramente, pensar até que ponto pode ter sido responsável pela reprovação. "Ele tem que ser consciente dos esforços que fez e se programar, estabelecer metas, mesmo diante do fracasso." Ela adverte os vestibulandos que, cansados de prestar uma carreira difícil e não conseguir, pensam em migrar para um curso mais fácil. "Não adianta buscar o mais fácil. Se quer medicina, tem que ser perseverante e não trocar por uma outra área só porque é mais fácil."

O dia 10 de janeiro foi um dia triste para Mariana Silva, 18. Já matriculada em uma faculdade, ela aguardava a lista do Mackenzie, sua primeira opção. Não passou --ficou na 660ª posição. Consultou as listas de chamada em espera anteriores para ver até que posição costumavam chamar. Infelicidade: até a posição 400 "ou um pouco mais". "Queria muito o Mackenzie, mas não deu. Estou feliz na minha segunda opção."

 

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