Educação
16/05/2008 - 21h11

ABL e Itamaraty comemoram aprovação de reforma ortográfica em Portugal

da Folha Online
da Agência Brasil
da BBC Brasil

A ABL (Academia Brasileira de Letras) e o Itamaraty comemoraram nesta sexta-feira a aprovação da reforma ortográfica da língua portuguesa pelo parlamento de Portugal. A sanção do projeto ocorre 16 anos depois de sua assinatura pelo portugueses.

Cícero Sandroni, presidente da ABL, considerou um "marco histórico" a assinatura do acordo. Em nota oficial, Sandroni informou que a ABL começou a trabalhar na elaboração do acordo no início dos anos 1970. Até hoje, Brasil, Cabo Verde e São Tomé e Príncipe haviam assinado o documento.

O acadêmico Evanildo Bechara, na mesma nota, opinou que a unificação da ortografia em todos os países lusófonos "demonstra o alto grau de maturidade política alcançado pelos países da CPLP (Comunidade de Países da Língua Portuguesa)". Marcos Vilaça, também da ABL considerou "madura" a posição portuguesa.

O Itamaraty, em nota encaminhada à imprensa, "convida as autoridades portuguesas a unir esforços para a plena implementação do Acordo Ortográfico no mais breve prazo possível."

Mudanças

Os estudos lingüísticos que basearam o acordo indicam que os portugueses terão mais modificações do que os brasileiros. O dicionário português terá de trocar 1,42% das palavras, enquanto no Brasil apenas 0,43% sofrerão mudanças.

Para os portugueses, caem as letras não pronunciadas, como o "c" em acto, direcção e selecção, e o "p" em excepto. A nova norma acaba com o acento no "a" que diferencia o pretérito perfeito do presente (em Portugal, escreve-se passámos, no passado, e passamos, no presente). Algumas diferenças vão continuar. Em Portugal, polémica e génesis manterão o acento agudo --o Brasil continuará escrevendo com o circunflexo.

Os portugueses manterão o "c" em facto --fato em Portugal é roupa-- e vão tirar o "p" que no país não é pronunciado na palavra recepção.

 

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