Menos de 2% dos professores da rede estadual estão em greve, diz secretaria
colaboração para a Folha Online
Cerca de 98% dos 230 mil professores da rede estadual trabalharam normalmente nesta segunda-feira, apesar da greve decretada na última sexta-feira (13). Segundo a Secretaria da Educação, nenhuma escola sofreu paralisação total. O Apeoesp (Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo) informou que um balanço da adesão à greve deve sair no final da tarde, mas, mesmo assim, rebateu o número da secretaria.
"Eles estão dizendo isso desde sexta-feira", disse o presidente do sindicato, Carlos Ramiro de Castro. Para ele, a adesão é bem maior, mas não soube precisar um número certo.
A secretaria informou, em nota, que os pais devem levar os alunos às escolas normalmente. Além disso, afirma que lamenta que "alguns poucos professores resistam a uma mudança que visa apenas a melhorar as condições de ensino".
Reivindicações
Iniciada nesta segunda-feira, a paralisação acontece em protesto contra um decreto do governo que trata do sistema de contração e substituição de professores, além de prever a realização de concursos regionais para professores. A nova medida também impõe a avaliação de desempenho da categoria.
Além da revogação do decreto 53.037, que foi publicado no "Diário Oficial" do Estado no dia 28 de maio, a categoria reivindica reajuste salarial e melhorias nas condições de trabalho.
Os professores devem se reunir nesta sexta-feira (20) no vão livre do Masp (Museu de Arte de São Paulo), na avenida Paulista, para decidir os rumos da greve.
Nota
Ainda de acordo com a nota da Secretaria da Educação, o decreto visa apenas à "melhoria da qualidade do ensino" e que "nenhum direito do professor foi atingido" com a medida.
Somente neste ano quase metade dos professores efetivos teria mudado de escola, o que prejudicaria a aprendizagem dos alunos, ainda de acordo com a nota.
Além disso, a nota pede a "estes poucos professores, que aderiram a uma greve política, reflitam e revejam a decisão de aderir a uma paralisação que só causa prejuízos aos alunos e aos profissionais da educação".
Protesto
Decretada na última sexta-feira (13), a paralisação foi decidida em reunião realizada na praça da República, no centro da cidade. Após a assembléia os manifestantes decidiram seguir em passeata até a avenida Paulista, para, segundo eles, chamar atenção para suas reivindicações.
Muitos motoristas foram prejudicados pelo congestionamento na Consolação e na Paulista. Uma ambulância do Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) chegou a ficar presa no tráfego, com um paciente a bordo. O trânsito teve de ser desviado.
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