Educação
16/06/2008 - 18h40

Sindicato dos professores diz que 50% da categoria está em greve; governo nega

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Colaboração para a Folha Online

O Apeoesp (Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo) informou no final da tarde desta segunda-feira que cerca de 50% dos professores da rede estadual de ensino estão em greve. Segundo o presidente do sindicato, Carlos Ramiro de Castro, ouvido pela Folha Online, a estimativa da Secretaria da Educação de que apenas 2% da categoria aderiu à paralisação é infundada.

"Estamos fazendo uma projeção de escola por escola, período por período. Nossos dados já mostram uma paralisação de 50%", disse. Para ele, a apuração da secretaria foi muito apressada. "Como a secretaria já tinha esse número durante a manhã de hoje?", questionou.

Segundo Castro, a adesão à greve deve aumentar nos próximos dias. "Estamos marcando reuniões com pais de alunos para explicar nossas reivindicações. Queremos o apoio da comunidade", disse.

Ele acrescentou que os professores conversaram com os alunos nesta segunda-feira para "lhes explicar a greve e orientar sobre os deveres e trabalhos que deverão ser feitos durante a paralisação".

Iniciada hoje, a greve acontece em protesto contra um decreto do governo que trata do sistema de contração e substituição de professores, além de prever a realização de concursos regionais para professores. A nova medida também impõe a avaliação de desempenho da categoria.

Além da revogação do decreto 53.037, que foi publicado no "Diário Oficial" do Estado no dia 28 de maio, a categoria reivindica reajuste salarial e melhorias nas condições de trabalho.

Os professores devem se reunir nesta sexta-feira (20) no vão livre do Masp (Museu de Arte de São Paulo), na avenida Paulista, para decidir os rumos da greve.

Outro lado

A assessoria da Secretaria de Educação informou que possui instrumentos de verificação das escolas que a Apeoesp não tem. De acordo com a secretaria, os números são verificados diretamente com as 91 diretorias de ensino, as quais o sindicato dos professores não tem acesso.

Durante a manhã, a secretaria divulgou uma nota em que afirma que o decreto visa apenas à "melhoria da qualidade do ensino" e que "nenhum direito do professor foi atingido" com a medida.

Somente neste ano quase metade dos professores efetivos teria mudado de escola, o que prejudicaria a aprendizagem dos alunos, ainda de acordo com a nota.

Além disso, a nota pede a "estes poucos professores, que aderiram a uma greve política, reflitam e revejam a decisão de aderir a uma paralisação que só causa prejuízos aos alunos e aos profissionais da educação".

 

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