Educação
24/06/2008 - 09h26

Na prática, professor tem reajuste menor que divulgado

CINTHIA RODRIGUES
Colaboração para a Folha de S.Paulo

O reajuste de cerca de 12% no salário-base anunciado na semana passada pelo governo José Serra (PSDB) aos professores significa, no bolso, 5,41%.

Isso porque o governo decidiu incorporar ao salário uma gratificação de R$ 80 que já é paga a todos os professores (menos os inativos) desde 2000. Na prática, esse valor apenas vai mudar de lugar no contracheque.

O índice de reajuste real no salário dos docentes já havia sido criticado pelo presidente da Apeoesp (sindicato dos professores), Carlos Ramiro de Castro, durante assembléia realizada na última sexta-feira (20) em São Paulo e que decidiu pela continuidade da greve.

Hoje, um professor de 1ª a 4ª série em início de carreira recebe R$ 1.166,83 de piso, mais uma gratificação de R$ 80 por "trabalho educacional", uma outra de R$ 175,03 (15% do piso) chamada de "atividade magistério", mais R$ 80 de "gratificação geral" e R$ 32 de "prêmio de valorização".

Ou seja, rendimento total de R$ 1.533,83. Com o reajuste de 5,41% e a incorporação, passará a R$ 1.617,54. "Não existe 12%", afirma o presidente da Apeoesp, Carlos Ramiro. "A gente quer a incorporação das gratificações, sim, mas não adianta isto contar como um reajuste que a gente não tem há anos."

O aumento do piso foi anunciado quinta passada, quatro dias após o início da greve da categoria, embora a Secretaria da Educação afirme que estudava a medida desde março.

O último reajuste ocorreu em 2005, na gestão Geraldo Alckmin (PSDB). Desde então, a inflação foi de 13,6% segundo o INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor).

A Secretaria de Estado da Educação confirma que a Gratificação por Trabalho Educacional será extinta após o reajuste. A assessoria do órgão, no entanto, argumenta que outras gratificações são calculadas sobre o salário-base -portanto, com a incorporação da gratificação, o salário final aumenta.

A Apeoesp também reclama que o reajuste é divulgado sobre um salário-base de 40 horas, quando a maioria dos professores trabalham menos.

"Esta carga horária é inventada, a gente tem de fazer uma conta lá e descobrir quanto é que vai ganhar", diz Ramiro.

Os concursos para rede estadual de ensino são para trabalhos de 24 horas ou 30 horas. Não existe concurso para 40 horas. A Secretaria de Educação, porém, diz que um número grande -não especificado- de professores trabalha 40 horas.

Ontem, no primeiro dia da segunda semana de greve, a Folha visitou 29 escolas das zonas leste e oeste de São Paulo e constatou que 11 estavam com professores a menos (38%). A secretaria diz que apenas 2% aderiram; a Apeoesp, 70%.

Funcionários e alunos das escolas visitadas pela reportagem disseram que havia professores ausentes por conta da greve, mas só duas escola estavam com anúncios da paralisação. A E.E Pereira Barreto, na Lapa, tinha uma faixa. Alunos do 2º ano do ensino médio, Geise da Silva, 16, e Camila Souza, 15, estavam na porta do colégio por volta das 12h30.

Não tiveram aula pela manhã nem na semana passada, afirmam. Foram ao colégio, dizem, porque achavam que a greve teria terminado. A Gabriel Ortiz, na Penha, zona leste, estava parada.

A greve começou por causa de um decreto do governador que impede a transferência de professores durante o ano e institui uma prova para classificação de professores temporários na escolha de aulas. Hoje, a classificação é feita por número de pontos. Quem tem mais experiência escolhe primeiro. Agora, os professores pedem reajuste de 45% para elevar o piso a cerca de R$ 2.000. Na sexta haverá uma passeata em protesto.

Férias

Quando a greve terminar, as escolas que tiverem cancelado aulas terão de fazer reposição.
Cada diretor escolherá a maneira de repor as aulas perdidas. Isso poderá ser feito no recesso de julho, aos sábados ou no fim do ano. O importante é chegar aos 200 dias letivos.

Colaboraram RICARDO WESTIN, BRENO COSTA, AMARO GRASSI e Folha Online

Comentários dos leitores
Maria do Rosario Freitas (74) 05/07/2008 07h47
Maria do Rosario Freitas (74) 05/07/2008 07h47
Esta é a politica do PSDB em todo o país. De Coronelismo, escravidão nos serviços públicos, uso indevido da mídia com mentiras para a população, falsas ideologias. Pegam carona nos projetos politicos de LULA e ainda saem fazendo oposição até mesmo à população que precisa de ações sociais do governo para sobreviver. NÃO TEM EDUCAÇÃO PARA COM O "PÚBLICO" FAZ DO PAÍS UMA PRIVADA. sem opinião
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GLAUCE DE PAULA (2) 03/07/2008 19h21
GLAUCE DE PAULA (2) 03/07/2008 19h21
SAO PAULO / SP
APENAS GOSTARIA DE SABER O SERÁ FEITO COM TODOS ESTES COMENTÁRIOS!!!
SERIA INTERESSANTE QUE O SENHOR GOVERNADOR E A SENHORA SEVRETÁRIA DE EDUCAÇÃO OS LESSEM , UM A UM!!!
SE NÃO, ESTAMOS NUM MURO DE LAMENTAÇÕES , DANDO COMBUSTÍVEL PARA ESTE JORNAL QUE ENTRE OUTRAS COISAS CONTRIBUI PARA A DIVULGAÇÃO DE UMA IMAGEM NEGATIVA DOS PROFISSIONAIS DA EDUCAÇÃO PÚBLICA PELA PROMOÇÃO DE UMA VISÃO ABURGUESADA E NEOLIBERAL.
É MAIS FÁCIL CORTAR O SALÁRIO DE QUEM CONTESTA UMA POLÍTICA EDUCACIONAL INCOERENTE ATÉ MESMO COM SUAS METAS , DO QUE REVER-SE POLITICAMENTE E ABRIR MÃO DE UM AUTORITARISMO DESCABIDO EM PLENO SÉCULO XXI.
26 opiniões
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Jessyca Araujo (1) 03/07/2008 08h01
Jessyca Araujo (1) 03/07/2008 08h01
SAO PAULO / SP
Na ultima manifestação do professores no dia 27/06 na Av. paulista, eu estava passando entre os professores e fique indignada com as coisas que vi. Acho muito certo todos lutarem pelos seus direitos, porém não podemos prejudicar os outros e o pior de tudo foi ver varios manifestantes com lata de cerveja na mão dando risadas, nem parecia que eles estavam reinvindicando algo, parecia mais que eles estavam passeando, sem contar a sujeira que ficou pelo caminho. Acredito que essa não é a forma mais adequada de um professor lutar pelos seus direitos. 25 opiniões
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