Educação
01/07/2008 - 18h18

Escolas particulares apostam em adaptação rápida

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DEH OLIVEIRA
colaboração para a Folha Online

Educadores de alguns dos principais colégios particulares de São Paulo acreditam que em pouco tempo os estudantes assimilarão as novas regras ortográficas da língua portuguesa.

A maior dificuldade deverá ser enfrentada por aqueles que já estão finalizando o ciclo escolar. Mesmo assim, o período de transição (entre 2010 e 2012), em que valerão as duas grafias, vai ajudar no processo de aprendizado. No que se refere à acentuação, a avaliação é de que a retirada dos sinais de algumas palavras pode até facilitar a vida dos alunos.

"Não vejo dificuldades não. Acho até que poderiam ter feito um pouco mais de mudanças", afirma Herbert Zorn, vice-diretor do colégio Humboldt, que além do português, tem no currículo alemão e inglês, como matérias obrigatórias, e francês, mandarim e espanhol como disciplinas opcionais.

O grau de dificuldade tende a aumentar quanto maior for a série do aluno. "Quanto mais novo e menos exposto à língua, maior a facilidade", afirma Luís Marcio Barbosa, diretor do colégio Equipe.

Efeito internet

A difusão das mudanças na ortografia deve ocorrer de forma mais acentuada devido aos meios de comunicação eletrônica, na opinião de Lilio Alonso Paolielo, diretor de conteúdo do Pueri Domus Escolas Associadas. "Essa é a primeira mudança na ortografia na era da internet. Hoje, se você quiser, já pode escrever um texto com as novas regras e colocar na internet", argumenta.

Outro aspecto que deve facilitar a assimilação da nova grafia é o reduzido número de mudanças, principalmente para o Brasil, cujas alterações representarão apenas 0,5% das palavras. "Estou fazendo a revisão para os livros ficarem compatíveis com o acordo. Na maioria das vezes há só uma palavra por página para alterar", explica Paolielo.

Voz discordante

Crítica das medidas definidas no acordo ortográfico, as quais classifica de cosméticas e superficiais, a coordenadora de redação do curso e colégio Objetivo, Elizabeth de Melo Massaranduba, tem opinião contrária à maioria. "Para o aluno vai ser complicado, porque quando você já memorizou, leva anos para assimilar as mudanças", afirma.

Na avaliação da educadora, no caso brasileiro faltou bom-senso na implementação da nova ortografia. A professora critica principalmente o fato de o Brasil iniciar o processo de mudanças nas escolas já a partir de 2010, enquanto Portugal estabeleceu prazo de seis anos para começar a utilizar as novas regras.

"Não há motivo para tamanha pressa, não precisa ser tão emergencial. Se fosse, não ficariam 18 anos para resolver tudo", reclama, se referindo ao tempo entre a elaboração do acordo e sua ratificação entre os países.

Transição

O prazo estabelecido pelo MEC (Ministério da Educação) para a implementação das novas regras ortográficas na rede pública também deve ser adotado pelas escolas particulares. "Nós já começamos a revisão dos textos, mas vamos ter de continuar em 2009, porque é muito material", explica Izete Fragata Torralvo, coordenadora de Língua Portuguesa do Colégio Bandeirantes.

De acordo com determinação do MEC, os livros didáticos devem trazer a nova ortografia a partir de 2010 para os primeiros cinco anos de ensino. No ano seguinte as publicações para estudantes da 6ª a 9ª séries já devem sair adaptadas. Assim, em 2012, todas as séries estarão com os livros já com as novas regras ortográficas, com a inclusão também do material do ensino médio.

 

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