Professores decidem na sexta-feira os rumos da greve em SP
Colaboração para a Folha Online
Os professores da rede estadual de ensino de São Paulo se reunirão na tarde de sexta-feira (27) no vão do Masp, na avenida Paulista, para decidir os rumos da greve. A categoria está paralisada desde o dia 16 em protesto a um decreto governamental que trata do sistema de contração e substituição de professores.
A Apeoesp (Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo), porém, não soube informar se haverá passeatas após a assembléia. Nas duas últimas sextas-feiras, os professores realizaram protestos na região central que prejudicaram o trânsito na cidade.
Na última terça-feira (24), a Secretaria da Educação anunciou ajustes ao decreto 53.037, de 2008. As mudanças anunciadas pelo governo tratam do limite de faltas, que passará de 10 para 12, da possibilidade de substituição aos professores que tiraram licença no ano anterior e da remoção nos primeiros três anos de trabalho para quem já é concursado.
O presidente da Apeoesp, Carlos Ramiro de Castro, porém, criticou os ajustes. "Essas mudanças não resolvem nosso problema. Alterou quase nada", disse.
Entre as reivindicações da categoria está o aumento real de 35% do salário. Segundo a Apeoesp, o percentual é para cobrir perdas salariais ocorridas nos últimos dez anos.
O sindicato defende ainda o fim da política de bonificação, que são valores acrescentados ao salário mensalmente, como gratificações geral e do magistério e prêmio de valorização do magistério. Os professores querem que esses bônus sejam incorporados ao salário nominal, e então se aplique o reajuste.
Para a Apeoesp, os bônus, como não fazem parte do salário, prejudicam a categoria, por exemplo, no momento da aposentadoria, pois as gratificações são pagas somente para quem está na ativa.
Para um professor de ensino fundamental em início de carreira, por exemplo, as bonificações representam 23% dos recebimentos. Segundo a Secretaria de Educação, o piso da categoria é de R$ 1.042 para 24 horas/aula por semana, com a gratificação.
Adesão
Segundo o sindicato, mais de 80% das escolas estaduais aderiram à greve. O governo, porém, rebate o número e diz que menos de 2% da categoria está de braços cruzados.
A secretaria acrescenta, por meio de nota, que o protesto dos professores é infundado, pois o decreto traz "uma mudança que visa apenas a melhorar as condições de ensino". Segundo levantamento do governo, somente em 2008 cerca de 40% dos 130 mil professores efetivos trocaram de escolas.
Leia mais
- Secretaria da Educação apresenta mudanças em decreto; sindicato rejeita
- Na prática, professor tem reajuste menor que divulgado
- Professores mantêm greve até dia 27 em SP; protesto atrapalhou trânsito no centro
Livraria da Folha
- Livro da série "Folha Explica" aborda profissões do século 21
- Manual mostra como melhorar o desempenho das crianças na escola
- Livro ensina a planejar e investir na educação dos filhos e na própria carreira
- Livros abordam temas políticos, sociais e históricos e ajudam a entender o Brasil
Especial

