Educação
30/06/2008 - 09h26

ProUni tem mais de 46 mil bolsas ociosas

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ANGELA PINHO
da Folha de S.Paulo, em Brasília

Uma das principais vitrines da política educacional do governo Lula, o ProUni (Programa Universidade para Todos) amarga uma sobra de 46.623 bolsas oferecidas, o correspondente a 39,2% do total.

O programa permite que alunos carentes estudem em instituições de ensino superior privadas com bolsa integral ou parcial (de 25% ou 50%).

Em troca, as universidades ganham isenção de tributos. Se elas tiverem dívidas com a União, podem parcelá-las em até dez anos a juros da taxa Selic (12,75% ao ano), menores do que as de um banco privado.

No último processo seletivo do programa, para o segundo semestre de 2008, foram oferecidas 118.871 bolsas, mas apenas 72.248 candidatos foram pré-selecionados. Eles tiraram a nota mínima do Enem para pleitear uma bolsa (45 pontos), mas, para obter a vaga, terão de comprovar renda familiar per capita menor do que três salários mínimos. Ou seja, as vagas ociosas podem aumentar.

Quase todas as bolsas não utilizadas são parciais (94%). Boa parte (45%) é de ensino à distância --"modalidade que requer recursos tecnológicos que, muitas vezes, os candidatos a bolsa não possuem, como computador, acesso à internet em banda larga e possibilidade de deslocamentos periódicos aos pólos [presenciais]", afirma o Ministério da Educação, ao justificar a sobra.

A maior parte das bolsas, integrais ou parciais, não-preenchidas (88%) são aquelas que as instituições oferecem a mais do que o número exigido pela lei -uma bolsa para cada 10,7 estudantes pagantes. Essas não têm impacto sobre o cálculo da isenção de tributos.

Se forem considerados os cursos, a sobra de bolsas se concentra em administração (12%), ciências contábeis (9%), pedagogia (9%), turismo (7%) e economia (6%). Essas áreas tiveram também o maior número de bolsas oferecidas.

O percentual de bolsas não-preenchidas neste ano é similar ao verificado em 2007. A proporção de bolsas ociosas foi de 33% no primeiro semestre do ano passado --em maio de 2007, os números parciais divulgados pela Folha já indicavam uma sobra de 10,6% das vagas-- e de 40% no segundo. Em 2008, foi de 29% no primeiro semestre e, no segundo, no mínimo de 39%.

Medidas e críticas

Os novos números mostram o insucesso de medidas anunciadas em 2007 para estimular e facilitar as adesões ao programa. Entre elas, o aumento do prazo de pagamento, de uma vez e meia o tempo de duração do curso para o dobro de tempo -antes, um curso de quatro anos era pago em seis anos e agora pode ser quitado em oito.

Especialistas apontam como razão para a sobra de vagas a dificuldade de encontrar alunos que atendam aos dois pré-requisitos -a nota mínima no Enem e o limite de renda.

Roberto Leher, do departamento de fundamentos da educação da Universidade Federal do Rio de Janeiro e crítico do ProUni, diz que não houve, em paralelo com o programa, uma política para melhorar o ensino médio e reduzir a evasão dos estudantes carentes.

"A seletividade social do ensino médio não se alterou. Nos primeiros anos, o ProUni atendeu uma demanda reprimida. Agora, ela em parte foi coberta, e o numero de alunos que conclui o ensino médio dentro do nível de renda é muito baixo", diz. "Foi alterada a porta, mas não o caminho até a porta."

Ryon Braga, da consultoria Hoper, aponta a renda como o maior obstáculo. Segundo ele, além da bolsa, os candidatos precisam comprar livros e pagar transporte, por exemplo.

O MEC criou uma bolsa-permanência de R$ 300 mensais, mas, no primeiro semestre de 2007, apenas 4% dos selecionados foram considerados aptos a recebê-la --o critério é ter bolsa integral e estar matriculado em curso com ao menos seis horas de aula diárias.

Comentários dos leitores
Dizer que haverá punição para os fraudadores do ProUni é uma grande piada contada pelo Presidente da República. Será que no país da corrupção institucionalizada, cuja prática tem como especialistas os heróis do mensalão e suas variantes, todos vinculados ao partido do governo e a sua base aliada, alguém do governo pode falar em punição em virtude da prática de fraude?
A reação do presidente é um embuste para desviar a atenção dos eleitores dos problemas maiores que podem comprometer as pretensões do seu partido nas próximas eleições, pois qualquer ato que remeta o eleitor ao mensalão desperta a resistência a proposta petista de um próximo governante oriundo das suas hostes.
Ninguém será punido!!!
sem opinião
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Lucas Silva e Silva (75) 04/07/2008 09h45
Lucas Silva e Silva (75) 04/07/2008 09h45
Esse PROUNI é uma verdadeira propaganda enganosa.
Mais uma do PT.
Ninguém consegue preencher os requisitos necessários, são raros os casos dos que se beneficiam, só mesmo quem recebe o bolsa esmola, os eternos companheiros.
Deveria haver menos demagogia do PT e mais ação.
Deveria acabar com esse negócio de cota disso e daquilo, e valorizar realmente o lado social, valorizar aqueles que não dispões de recursos para pagar R$ 800 reais de mensalidade numa faculdade.
Do jeito que a coisa anda, só rico fará faculdade no Brasil, pois as altas mensalidades, por si só são fator seletivo em benefício dos abastados deste país.
85 opiniões
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Geraldo Buss (206) 30/06/2008 16h07
Geraldo Buss (206) 30/06/2008 16h07
Estou abismado ao ler um artigo que comenta que dois índios da reserva Raposa Serra do Sol em Roraima estão passeando pela Europa junto com um padre no intuito de pedir ajuda dos governos europeus contra o governo brasileiro e contra as declarações do General Heleno de que não é iandmissível que as terras indígenas na divisa do país sejam contínuas e que por este motivo ameacem a soberania do Brasil. Este padre e estes índios que obtiveram o passaporte brasileiro para viajar foram para Europa reclamar do povo brasileiro!? Que idioma estes índios falam? Inglês? Francês? Holandês ? Este padre que nacionalidade ele tem? Será brasileiro ou estrangeiro que ingressou no Brasil para promover a Igreja e está promovendo uma insurreição digna de cadeia! Quantas centenas de indígenas existem na região? Porque as ONGS estrangeiras e os países estrangeiros se apoiam tanto na "burrice do governo brasileiro" que assinou o tal documento dizendo que os índios são soberanos em suas terras. ìndio também é brasileiro e como tanto é extremamente cuidado pelo governo brasileiro -FUNAI. Assuntos do Brasil resolvessem no Brasil e não em Portugal ou em outro país qualquer. 25 opiniões
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