Após decisão judicial, professores de SP transferem assembléia para a praça da República
Colaboração para a Folha Online
A Apeoesp (sindicato dos professores estaduais de São Paulo) transferiu para a praça da República, no centro, a assembléia da categoria, que estava prevista para ocorrer no vão livre do Masp, na avenida Paulista, na tarde desta sexta-feira. A mudança é resultado de uma decisão judicial contra o sindicato, proferida na manhã de hoje.
O juiz Maury Ângelo Bottesini, da 31ª Vara Cível, concedeu ao Ministério Público liminar contra a Apeoesp e a Conlutas (Coordenação Nacional de Lutas) para impedir a manifestação dos professores em ruas e avenidas de São Paulo. Bottesini também fixou multa de R$ 500 mil caso a decisão seja descumprida.
Em seu despacho, o juiz afirmou que os manifestantes estão impedidos de interromper ou prejudicar o tráfego. De acordo com o magistrado, as lideranças da Apeoesp e da Conlutas têm a "obrigação de comunicar aos manifestantes por qualquer meio e por qualquer tipo de mensagem, por assembléia ou pelos meios de comunicação, a observância das proibições impostas".
Atos realizados pelos professores nos dias 13, 20 e 27 de junho provocaram grande lentidão em vias da região central.
A Apeoesp, por meio de sua assessoria, afirmou que a assembléia não foi desmarcada, pois a decisão do juiz se refere apenas a passeatas. O sindicato também disse que, durante a reunião de hoje, poderá ser votada a manutenção da greve durante as férias escolares, mas sem atos. As assembléias, dessa forma, seriam retomadas apenas em agosto.
Greve
Entre as reivindicações dos professores está a revogação de um decreto governamental que trata do sistema de contratação e substituição de professores. Além disso, os professores querem também o aumento real de 35% do salário --para cobrir perdas salariais dos últimos dez anos-- e o fim da política de bonificação, que são valores acrescentados ao salário mensalmente. Os professores querem que esses bônus sejam incorporados ao salário nominal, e então se aplique o reajuste.
Para o sindicato, os bônus, como não fazem parte do salário, prejudicam a categoria, por exemplo, no momento da aposentadoria, pois as gratificações são pagas somente para quem está na ativa.
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