Amorim defende política permanente de promoção do idioma
da Agência Lusa
O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, defendeu uma política permanente de promoção da língua portuguesa no âmbito da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) e apontou como estratégica a posição do Brasil para a difusão do idioma.
"Independentemente de toda a cooperação bilateral ou plurilateral que existe, tem que haver uma política da língua portuguesa. É preciso haver uma política de divulgação e difusão permanente", afirmou Amorim, em declarações à Lusa.
A língua portuguesa é o tema da 7ª cúpula de Chefes de Estado e de Governo da CPLP, que acontece quinta e sexta-feira, em Lisboa, e uma das prioridades da presidência portuguesa da organização, nos próximos dois anos.
O governo português aprovou na semana passada uma nova estratégia para a promoção e divulgação da língua portuguesa, que inclui a criação de um fundo com este objetivo, dotado com uma verba inicial de 30 milhões de euros, mas aberto à contribuição de outros países.
Referindo-se à reunião de Lisboa, o chefe da diplomacia brasileira afirmou que vai ser "um grande encontro".
"A CPLP é de grande importância. Será uma cúpula para debater os problemas e a maneira de cooperar. Continuaremos a dar o nosso apoio", realçou Amorim, destacando que o Brasil tem a intenção de criar uma universidade da língua portuguesa voltada para os Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP).
A previsão do governo brasileiro é de que a Universidade da CPLP (UniCPLP) ou Universidade da Integração Luso-Afro-Brasileira --o nome ainda não está definido-- comece a funcionar em 2010, no Estado do Ceará.
Questionado sobre o acordo ortográfico, que vai entrar em vigor nos países da CPLP que já o ratificaram (Portugal, Brasil, Cabo Verde e São Tomé e Príncipe), Amorim disse que a sua adoção vai "simplificar" o uso da língua, além de facilitar a divulgação de livros didáticos e atingir comunidades que falam português em outros países.
O ministro brasileiro afirmou, no entanto, que ainda há muitos desafios a enfrentar e destacou a disposição do país em contribuir para a divulgação da língua portuguesa.
"O acordo ortográfico foi um grande passo nesse sentido, mas há muito que pode ser feito. O Brasil tem uma posição estratégica, com quase 200 milhões de pessoas que falam o português. Daremos a assistência necessária para que essas mudanças se concretizem", disse.
Mais de 240 milhões de pessoas falam a língua portuguesa no mundo. O Brasil concentra o maior número de falantes --cerca de 192 milhões de pessoas, seguido por Moçambique com uma população de 21,2 milhões de habitantes, Angola com 12,5 milhões e Portugal com uma população inferior a 11 milhões de falantes.
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