Cresce inadimplência em escolas de SP
LUCAS REIS
da Folha Ribeirão
A inadimplência nas escolas de ensino infantil, fundamental e médio da rede particular de São Paulo registrou crescimento no primeiro semestre de 2008 em relação ao mesmo período do ano passado.
A média da inadimplência na cidade, segundo o Sieeesp (Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino no Estado de São Paulo), foi de 9,8% nos primeiros seis meses do ano --em 2007, o índice foi de 9,55%. Em junho, o índice de mensalidades que não foram pagas foi o mais alto dos últimos 24 meses: 11,13% --no mesmo mês de 2007, a média foi de 9,38%.
O "calote" registrado neste ano em São Paulo supera a média estadual. Em 2007, 8,1% das mensalidades não foram pagas no primeiro semestre no Estado. Neste ano, a média caiu para 7,7%.
Inflação
"O ideal seria que a média não passasse dos 5%, mas a inadimplência cresceu em relação ao ano passado, e isso se deve aos juros altos e à inflação, que aumentaram neste ano", disse o presidente do Sieeesp, José Augusto de Mattos Lourenço.
De acordo com Lourenço, o crescimento do "calote" preocupa e prejudica os mantenedores. "A maior parte dos custos das escolas é formada pelo salário dos professores", disse Lourenço, que recomenda um acordo amigável entre as escolas e os pais.
"A conversa é o melhor caminho. Mas, se o prazo de recebimento [90 dias] se esgotar, a cobrança deve ser feita judicialmente", disse.
As escolas particulares do Estado terão um sistema próprio de avaliação de desempenho, diferente do método usado pelo MEC (Ministério da Educação).
O Sieeesp e o Inade (Instituto de Avaliação e Desenvolvimento Educacional) firmaram um convênio para a criação da avaliação, que será aplicada em estudantes da quinta e da nona série do ensino fundamental e do terceiro ano do ensino médio. A aplicação da prova não será obrigatória. "A intenção é avaliar as escolas, o corpo docente e os alunos. Assim, a escola poderá corrigir suas deficiências", afirmou Lourenço.

