Para evitar desperdício, escolas estaduais de SP oferecem merenda "serve-serve"
GUSTAVO HENNEMANN
do Agora
Quase metade dos alunos da rede estadual de educação já servem a merenda em balcões de serve-serve (self-service, em inglês). Até o final do ano, mais 307 escolas vão instalar carrinhos térmicos feitos especialmente para crianças, com pés de altura regulável, no quais as refeições são oferecidas.
Segundo a Secretaria Estadual de Educação, das 5.515 escolas estaduais, em torno de 1.180 da região metropolitana e 1.300 do interior já receberam o carrinho, mas nem todos foram instalados.
"É preciso adaptar a rede elétrica de algumas escolas, mas queremos cobrir praticamente todas até o final de 2009", afirma o diretor técnico do Departamento de Suprimentos Escolar da secretaria, Orlando Gerola Júnior.
Na escola estadual Dom Camilo Maria Cavalheiro, que fica no Jardim Santa Maria (zona leste de São Paulo), os alunos servem o próprio prato desde o início de agosto.
Segundo a vice-diretora, Mônica Cristina Soares, a média de alunos que comem a merenda diariamente aumentou de 260 para 520. "Tivemos de pedir mais comida para dar conta, e o bom é que o desperdício caiu", afirma.
Até o mês passado, os alunos recebiam o prato montado pela merendeira. "Prefiro assim [serve-serve] porque aí sirvo quanto quero de cada coisa", diz Cleiton da Silva, 12 anos, aluno da 6ª série. Ontem (29), os estudantes comeram arroz com cenoura, feijão, salsicha no molho de tomate, purê de batata e salada.
Segundo a nutricionista Beatriz Tenuta Martins, professora do curso de alimentação escolar do CBES (Centro Brasileiro de Estudos Sistêmicos), o sistema no qual a pessoa se serve é melhor do ponto de vista da criança, porque o aluno pega exatamente o que quer. Mas é preciso um trabalho de orientação.
Do ponto de vista higiênico, Beatriz diz que também não existe problema, desde que a comida seja feita e servida logo depois. A nutricionista ainda diz que o sistema evita o desperdício. "No primeiro dia a criança pode até se perder na medida, mas logo se acostuma", diz.

