Professor defende punição severa a aluno, diz pesquisa
FÁBIO TAKAHASHI
da Folha de S.Paulo
Os professores brasileiros querem punições mais duras aos alunos, na busca por disciplina, aponta um pesquisa nacional feita pela Organização dos Estados Ibero-americanos e pela Fundação SM. Chegam, inclusive, a defender a expulsão de estudantes.
As conclusões estão presentes no estudo "A Qualidade da Educação Sob o Olhar dos Professores", que entrevistou 8.773 docentes da educação básica no país e que será apresentado hoje, em São Paulo.
Do total, 83% defenderam medidas mais duras em relação ao comportamento dos alunos, índice que chega a 94% se analisada apenas a rede pública.
O estudo não detalha o que são "medidas mais duras", mas outra questão apresentada indica uma possibilidade: 67,4% disseram que deveria chegar a haver expulsão de alunos.
"As escolas brasileiras são espaços desorganizados, pouco propiciadores de um ambiente facilitador para estudo e reflexão. Isso se deve a problemas de comportamento dos alunos e a problemas de gestão e organização [das escolas]", disse Maria Malta Campos, que coordenou o trabalho, ao citar o que pode influenciar na posição dos docentes.
Campos afirma que é contra a expulsão de alunos. "Muitos fatores precisam ser superados, mais abrangentes do que simples medidas punitivas."
Educadores afirmam que um dos principais problemas nas escolas, principalmente das públicas, é a falta de regras claras. Nos regimentos, por exemplo, existe a possibilidade de expulsão, mas ela é pouco aplicada.
"Somos agredidos verbalmente pelos alunos diariamente. Não há mecanismo para impedir indisciplina. O professor e a supervisão conversam com alunos e pais, mas não adianta", disse Ricardo Pinto, 41, que leciona história na rede estadual e municipal de São Paulo.
"Em tese, sou contra a expulsão, mas não tem outro jeito. Um aluno indisciplinado prejudica outros 40", completou.
O presidente da CNTE (confederação que representa os profissionais da educação), Roberto Franklin de Leão, diz que a pesquisa mostra "um pedido de socorro" dos professores.
"Estamos abandonados pelo Estado, sem condições adequadas de trabalho. Não há, por exemplo, ajuda psicológica para os alunos e os educadores."
Presidente do Consed (conselho de secretários estaduais de Educação), Dorinha Seabra Rezende diz que, para tentar atenuar o problema da indisciplina, o conselho tem feito capacitação de diretores para melhorar a gestão das escolas.
"Vivemos uma época em que não há limites para nada", disse o pesquisador da Universidade de Brasília, Wanderley Codo. "A expulsão é necessária em alguns casos, como exemplo."
Já a presidente da Apaesp (associação de pais e alunos da rede estadual de SP), Hebe Tolosa, diz que "não se pode expulsar essas crianças, elas também precisam de socorro, de ajuda psicológica do Estado".


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Agora o mais engraçado de tudo, também sou professor da rede pública, e vejo que meus colegas, tanto pedem aumento salarial, reajuste de planos de carreira, mas o mais incrível e repito, engraçado, é ver que por mais que se reclame, por mais que façam parte de um discurso que denigre a escola pública, não vejo colegas que queiram sair do ensino público. Isso em outras palvras apenas reflete uma coisa: TODOS criticam, mas NINGUÉM quer largar o osso. ENGRAÇADO NÃO?!?! O que é pior é ouvir da colega que se expôs alguns comentários atrás, que escola não é para todos, e que seria necessário o Estado considerar outro local para aqueles que não queiram estudar, VAMOS FORMAR OUTRAS FEBEMS??? Acho que ela não notou que ao comentar isso, ela mesma assina um atestado de incompetência, de falta de conhecimento de pedagogia e etc. LAMENTÁVEL QUE EXISTAM PROFISSIONAIS DA EDUCAÇÃO QUE ACHAM BONITINHO DEFENDER EXPULSÕES E OUTROS MÉTODOS ARCAÍCOS...POR FAVOR, RECICLEM-SE e dêem lugar para ourtros que queiram ajudar de alguma forma
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Primeiramente, não vivo no "país da Alice", não estou aqui para criticar colegas de profissão, nem dar razão aos protagonistas da violência escolar, muito menos fazer das minhas palavras uma verdade absoluta. Respeito os comentários abaixo, no entanto, senti a imensa necessidade de expor a minha visão contrária a tudo isso e apresentar o que acredito e vivencio. Não defendo de forma alguma qualquer tipo de punição. Não faço parte dessa estatística absurda. Sabe-se que existem outros meios tanto de prevenir quanto remediar esse tipo de situação e, enquanto educadora da maior rede pública estadual do país (São Paulo), fico imensamente chocada quando leio palavras de colegas educadores tão agressivas quanto os atos de seus próprios alunos. Isso tudo é reflexo do que vivemos, uma violência generalizada que talvez possa não resultar em ações físicas, mas em palavras como as que acabei de ler. Expulsar, suspender, punir, TODOS sabemos e não queremos enxergar que se trata de uma medida paliativa e não efetiva. O tal "projeto de marginal", como um colega mesmo citou, pode deixá-lo em paz na sua escola e não incomodar mais a sua aula, no entanto, um dia ele cobrará de você tal atitude, no meio da rua. Ou seja, o problema não estará resolvido, só estará em outra esfera e talvez muito mais grave.
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