Agrônomo tem formação para atuar no cultivo e no agronegócio
LUISA ALCANTARA E SILVA
da Folha de S.Paulo
Com a preocupação ambiental em alta, cresce a busca por agrônomos, cuja função é usar a agricultura, de maneira sustentável, para melhorar a vida das pessoas. A graduação é antiga no Brasil --há cursos que datam do século 19--, mas agora passa por mudanças para se modernizar. Hoje, é oferecida por 174 instituições, segundo o Ministério da Educação.
A área de atuação do agrônomo é bastante ampla. Ele pode, por exemplo, cuidar de granjas, fazer represas, cultivar pastos e trabalhar em grandes empresas de agroindústria, como usinas de cana-de-açúcar.
Para trabalhar nessas áreas, o aluno aprende, na faculdade, a lidar com a terra, com as plantas e com os animais.
| Mastrângelo Reino/Folha Imagem |
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| Estudante de agronomia Celso Galardnovick, 51, em estufa na fazenda experimental da Faculdade Cantareira em Mairiporã (SP) |
O curso da UFSCar, oriundo da extinção do Instituto do Açúcar e do Álcool, tem como forte o cultivo da cana-de-açúcar. Mas, segundo o coordenador Davi Guilherme Gaspar Ruas, o aluno tem uma formação ampla em diferentes plantações, como soja e milho, espalhadas pelos 200 hectares (2 milhões de metros quadrados) da fazenda da escola, onde o curso se chama engenharia agronômica.
Os alunos da UFSCar conhecem ainda, por exemplo, como controlar plantas infestantes (ervas daninhas). "Eles saem daqui aptos para atuar em diversas áreas", diz Gaspar Ruas.
Teoria e prática
O início dos cursos costuma ser mais teórico, mas, a partir do segundo ou terceiro ano, o aluno passa a ter grande parte da carga horária nas fazendas das faculdades.
Na Unesp, o primeiranista tem aulas de filosofia da ciência e desenho técnico. Na engenharia agronômica da Esalq (Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz), da USP, as primeiras aulas englobam cálculo diferencial e integral e estatística geral.
Na UnB (Universidade de Brasília), o curso, que já tem quase meio século, é dividido em cinco grandes áreas: solo, agricultura, agronegócio e ciências sociais aplicadas, zootecnia e engenharia agrícola. "Aqui o aluno aprende desde a parte do plantio até a da entrega", diz o coordenador José Américo Soares Garcia.
Na Universidade Federal do Mato Grosso, que já tem a graduação em agronomia em Cuiabá e passará a oferecê-la nos campi de Pontal do Araguaia e de Sinop, o primeiro ano tem aulas de geometria, álgebra e introdução à ciência da computação.
As disciplinas do primeiro grau mais presentes nos cursos de agronomia são: matemática, biologia, química e física. "Com química, por exemplo, o profissional pode formular ração para animais", diz Garcia.
Com a primeira graduação em contabilidade, Celso Galardnovic, resolveu, aos 48 anos, fazer o curso de agronomia. Ele já morou no norte do Paraná, onde vivia em uma fazenda, e tem terras no sul de Minas Gerais, onde planta café. Sempre ligado à terra, achou que seria bom para os seus negócios ter mais conhecimento na área.
Atualmente no quarto ano da faculdade Cantareira -a única na cidade de São Paulo, segundo o MEC-, ele diz que foi muito bom ter iniciado o curso. "Invisto o que eu aprendo nas aulas nas minhas terras", diz ele. "Passei a cuidar melhor da plantação, porque aprendi a entendê-la."
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