Justiça condena grupo que fraudou vestibular no Acre a indenizar universidade
MATHEUS PICHONELLI
da Agência Folha
A Justiça Federal no Acre condenou 21 pessoas acusadas de fraudar o vestibular de medicina da Ufac (Universidade Federal do Acre), em 2002, a pagar multa de R$ 180 mil cada uma e a ressarcir as despesas da universidade durante o período em que freqüentaram o curso.
Os acusados foram proibidos de receber financiamento público e tiveram os direitos políticos suspensos por cinco anos. Também foram excluídos definitivamente do curso --estavam suspensos-- e de outras instituições para as quais tenham sido transferidos.
O grupo, segundo o juiz Jair Araújo Facundes, era liderado por Jorge Nascimento Dutra, que cooptava alunos que pagavam até R$ 20 mil por vaga. Ele responde a outro processo --a decisão da Justiça Federal trata apenas dos vestibulandos.
A fraude funcionava com um "piloto" -- pessoa de elevado QI (quociente intelectual)-- que se inscrevia no vestibular e resolvia as questões em menos de duas horas. A "piloto", no caso, era a romena Ioana Rusei.
Ela repassava respostas a um outro membro do grupo responsável por transmitir as informações por aparelho portátil aos candidatos, por meio de microreceptores ocultos em roupas ou relógios.
O juiz disse haver indícios de que o grupo tenha atuado em 32 instituições, de 12 Estados. A Ufac, informou que os estudantes foram afastados da instituição. Ninguém da coordenação do curso de medicina foi localizado nesta terça-feira.
O juiz determinou ainda que a Ufac reelabore a lista de classificados no vestibular, com a exclusão dos suspeitos.
O grupo acusado de cooptar estudantes responde a outro processo. O advogado desse grupo, Guilherme Arruda de Oliveira, disse que aguarda a decisão dessa causa para se pronunciar.


