Educação
14/12/2008 - 20h50

Professores divergem sobre dificuldade de prova da Unesp

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Colaboração para a Folha Online

Professores de cursinhos ouvidos pela Folha Online divergiram sobre o grau de dificuldade da primeira prova do vestibular da Unesp, realizada neste domingo. Alguns docentes elogiaram a elaboração geral das questões, outros consideraram que as disciplinas variaram muito quanto ao nível de exigência de conhecimento. Professores identificaram ainda erro em questões de inglês e biologia.

Na avaliação da coordenadora do curso e colégio Objetivo, o exame exigiu dos candidatos conhecimentos fundamentais das matérias, o que ajudava a nivelar tanto alunos que estudaram em escolas mais fortes, como as particulares, quanto os que os alunos de escola com nível inferior, no caso das públicas.

"Isso é bom, porque, se pedem assuntos muito diferentes, beneficia mais os alunos de escolas particulares", disse. Segundo a coordenadora, geografia pode ser considerada a parte mais trabalhosa da prova, devido sua extensão. "É uma prova mais longa, mas extremamente rica, com textos, tabelas, fotos e gráficos", disse.

Já para o coordenador do curso Etapa, Edmilson Motta, o exame da Unesp apresentou graus distintos de dificuldade de acordo com a disciplina. "As matérias estavam com nível de dificuldade muito discrepantes", disse.

Segundo Motta, este ano matemática voltou a ter características de anos anteriores, quando as questões exigiam menos conhecimento sobre o conteúdo do ensino médio. "Os enunciados exigiam alguma contextualização, pelos textos apresentados", disse.

Na avaliação de professores, a prova de história ficou muito fora do usual. "Comparada à prova do ano passado, foi mais fácil, mas a elaboração foi um pouco complicada", disse o coordenador do curso de história do Etapa, Rogério Forastieri da Silva.

Para o professor, a maior parte das questões exigiu menos conhecimento da disciplina e mais esperteza do aluno, pois era possível chegar à resposta por exclusão de algumas alternativas.

Ele criticou a questão de número 50 de história, que exigia do aluno conhecimento de filosofia. Segundo ele, o texto apresentado, de Platão, e o enunciado não ajudam o candidato a resolver a questão.

"O governo criou a obrigatoriedade de ensino de filosofia nas escolas a partir do ano que vem, e já colocaram uma questão na prova", afirmou.

De acordo com ele, a questão de número 56 também estava mal elaborada, pois para responder era preciso que o estudante tivesse conhecimento sobre a Bíblia, e não do conteúdo ensinado em história no ensino médio.

Erros em Inglês e biologia

Os professores identificaram erro em uma questão de inglês de número 77, envolvendo gramática. Pelo enunciado, o aluno teria de apontar a frase em que a sentença apresentada fosse colocada na voz passiva.

"A alternativa correta, pelo gabarito, seria a 'A', mas o verbo deveria estar no passado, e estava no presente", disse a coordenadora de inglês do curso e colégio Objetivo, Cristina Armagamijan.

"Deve ter ocorrido um erro de digitação ou de revisão", afirmou Alahkin de Barros Filho, coordenador de inglês do curso Etapa. Na avaliação dos professores, a questão tem de ser anulada.

De acordo com o coordenador de biologia do Objetivo, Clézio Morandini, a questão número 15 da disciplina também deveria ser considerada nula, pois a alternativa apresentada no gabarito oficial, a 'D', está incorreta.

A questão mostra um esquema de relações evolutivas entre diferentes grupos de organismos e pede para o aluno identificar a presença de núcleo delimitado por membrana e formação de tecidos verdadeiros.

"A resposta dada como correta pelo esquema apresentado indica que os fungos têm tecidos verdadeiros, o que não é verdade", disse o professor.

 

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