Livros terão de ser reeditados para seguir normas do acordo
MÁRCIO PINHO
da Folha de S.Paulo
Com a nova norma, muitos livros terão de ser "reeditados". Ou será que a palavra correta aqui seria "re-editados"? Pois é, a forma correta dessa palavra não é definida claramente pelo acordo ortográfico.
O excesso de "etc." e a falta de exemplos que ilustrem a aplicação das novas regras, além da subjetividade de certos pontos do acordo, que dá margem a interpretações, são apontados por professores de português como causa de dúvidas.
As novas regras devem manter aquecidos os debates sobre como escrever corretamente pelo menos até fevereiro, quando a ABL (Academia Brasileira de Letras) anuncia a divulgação do Volp ("Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa"), que trará a grafia oficial das palavras.
As controvérsias já fizeram editoras de livros didáticos como suas "vítimas". A Ática, por exemplo, retirou momentaneamente de um de seus livros didáticos, agora impressos na nova norma, uma lição baseada em um anúncio publicitário com palavras formadas por hífens -tema onde estão concentradas as principais dúvidas. Já os dicionários em versão de bolso já atualizados trouxeram conflitos na grafia de palavras.
A palavra "pára-raios" (forma como era grafada na antiga regra e que perde o acento na nova) é agora indicada como "pararraios", no "Minidicionário Aurélio da Língua Portuguesa", e "para-raios", no "Meu Primeiro Dicionário Houaiss" e no "Minidicionário Houaiss". A dúvida ocorre porque o acordo diz que devem ser aglutinadas, sem hífen, as palavras compostas quando "se perdeu, em certa medida, a noção de composição", conceito usado para gerar a palavra "paraquedas".
"A noção de composição é um pouco subjetiva. Por dedução, interpreta-se o que foi adotado para "paraquedas", que perdeu o hífen. Trata-se de um objeto em si. Portanto, a grafia correta é tudo junto", afirma Carlos Mendes Rosa, editor-chefe de livros universitários e dicionários da Editora Ática -entre eles o "Minidicionário Luft"-, que também adotou "pararraios".
Mauro Villar, do Instituto Antônio Houaiss, diz que todas as obras do grupo reproduzirão na sua grafia as normas do novo acordo, assim como as regras sugeridas pela Academia Brasileira de Letras. "Estamos trabalhando em consenso com os ortógrafos e filólogos da ABL."


