Educação
13/01/2009 - 10h15

Veterinária vai além do trabalho clínico

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RAFAEL SAMPAIO
da Folha de S.Paulo

Com agitação e muito barulho, as pequenas cabras observam as duas estudantes de veterinária enquanto são examinadas. Cada uma tem uma plaquinha: Branca, Manchinha, e há até uma Renata entre elas.

Por vários meses, Samantha Valadas, 22, e Mariane Borges, 21, ambas do quinto ano de medicina veterinária da USP, realizaram essa tarefa: tratar de cães, gatos, cavalos, cabras e outros animais. "É um curso prático e que ensina o trabalho clínico, mas vai além dele", diz Enrico Ortolani, vice-diretor da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da USP.

Alexia Santi/Folha Imagem
Samantha (morena) e Mariane (loira) estudam veterinária da USP; graduação nessa área vai além do trabalho clínico
Samantha (morena) e Mariane (loira) estudam veterinária da USP; graduação nessa área vai além do trabalho clínico

O curso, que tem duração de cinco anos, ensina a trabalhar com prevenção e tratamento de saúde em animais, a atuar na inspeção de produtos derivados dos bichos, como laticínios, além de técnicas de criação e produção de animais, como gado de corte.

"O candidato deve ficar atento, pois é indispensável que a universidade ofereça acesso a um hospital veterinário e a fazendas de animais para a realização de aulas práticas", relata o coordenador do curso da Unesp em Botucatu, João Carlos Pinheiro Ferreira.

A Unesp oferece a graduação em três campi: Botucatu, Jaboticabal e Araçatuba. Como em outras universidades, o último ano é reservado para o estágio obrigatório, que pode durar de três meses a um ano.

"O aluno pode estagiar em clínica de animais, pet shop, fazenda, órgão governamental [como a Embrapa] ou empresa de alimentos", afirma Ferreira.

Currículo

O currículo de medicina veterinária inclui disciplinas mais teóricas nos três primeiros semestres, como genética, ecologia e bioquímica. É a partir da metade do segundo ano que a prática predomina, segundo os coordenadores de cursos.

O aluno vai aprender, nesse ponto, higiene alimentar, nutrição e noções de reprodução animal, além de técnicas para criação de animais, como suínos, aves e bovinos. No quarto ano, começam as matérias clínicas -tratamento médico e cirurgia, obstetrícia, controle de epidemias e inspeção sanitária de produtos de origem animal.

O vestibulando que quer ingressar na carreira deve ter boas noções de química, biologia, cálculo e habilidade manual para poder aprender cirurgias e operações clínicas, informa o vice-diretor da faculdade de veterinária da USP.

"A maioria dos alunos entra no curso acreditando que vai trabalhar apenas com cães e gatos, mas logo descobre que o universo é muito maior", afirma Terezinha Knöbl, coordenadora do curso de medicina veterinária da FMU.

Uma das áreas que têm atraído mais profissionais nos últimos anos é a de animais selvagens. "Minha melhor experiência foi um estágio no Aquário Municipal de Santos", diz Mariane, cujo pai também é veterinário. "Cuidei da alimentação e da saúde de tartarugas, peixes, focas e pinguins."

Por ser integral, o curso da USP é trabalhoso, mas apaixonante, avalia Samantha. "Quero trabalhar com medicina preventiva", diz. Ambas são amigas desde o início da faculdade. Neste ano, devem se separar --viajarão para diferentes cidades dos EUA para fazer estágio.

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