Estude sobre Comuna de Paris em exposição que vai até sábado
JOÃO BONTURIEspecial para a Folha Online
Nos exames vestibulares, as provas de história costumam abordar assuntos cujas origens ou aniversários foram objetos de destaque durante o ano. Neste ano, em comemoração aos 130 anos da Comuna de Paris, a primeira revolução proletária do mundo, estão sendo realizadas palestras, debates, atos e atividades culturais e uma Exposição Iconográfica no Museu da Cidade de Campinas, que se encerra no sábado (14). Vale a pena destinar uma tarde das férias para vê-la.
A exposição contém 24 painéis didaticamente dispostos em ordem cronológica. Em foco estão reproduções de fotos da época, depoimentos de participantes e proclamações oficiais, declarações e análises de intelectuais como Karl Marx, mapas sobre a invasão de Paris pelas tropas do exército republicano francês e dados quantitativos sobre o acontecimento. Também são postos em evidência, o caráter universal e a corajosa participação feminina no movimento. Os documentos apresentados em francês têm ao lado a tradução para português.
Entenda a Comuna
A Comuna de Paris (1871) foi o primeiro movimento em que os trabalhadores ocuparam diretamente o poder político. Considera-se que a comuna abriu as portas para o século 20, caracterizado por Eric Hobsbawn, em 'A Era dos Extremos', como o da luta entre o capitalismo e o socialismo.
Em 1870, a França era governada pelo imperador Napoleão 3º, sobrinho de Napoleão Bonaparte. Além de exercer uma política imperialista estabelecendo colônias na Ásia e na África, Napoleão 3º pretendia transformar a França na primeira potência do continente europeu. Suas ambições chocaram-se com as do primeiro ministro da Prússia, Otto von Bismarck, que realizou a primeira unificação da Alemanha.
Bismarck provocou uma guerra contra a França para obter as regiões da Alsácia e Lorena, situadas na fronteira franco-germânica, ricas em ferro, elemento precioso para o desenvolvimento da ascendente indústria alemã. A derrota francesa consolidaria a unificação alemã.
No plano interno francês, uma parte significativa da burguesia, cansada das vaidades de Napoleão 3º, e o proletariado de tendências socialistas, oprimido pelas práticas do capitalismo 'selvagem', resolveram proclamar a República cujo objetivo imediato era impedir a entrada das tropas alemãs em Paris.
Para resistir ao inimigo, os parisienses alistaram-se em massa na Guarda Nacional. Os alemães cercaram Paris. Os republicanos resistiram tenazmente, porém, em outra frente da guerra, uma ala numerosa do exército francês rendeu-se em Metz, na divisa entre França e Alemanha. Com isso, a burguesia apressou-se em negociar um armistício com os alemães, que foi assinado em janeiro de 1871.
Thiers, o chefe do governo republicano, decidiu suspender os pagamentos da Guarda Nacional e exigiu a entrega das armas de posse dos soldados, que não atenderam ao pedido. Em 18 de março, quando o exército entrou na cidade para retirá-las, foi proclamada a Comuna de Paris. O termo 'comuna' significa cidade autônoma, e já havia sido utilizado pelos jacobinos durante a Revolução Francesa (1789).
O exército francês foi pego de surpresa. Porém, os revoltosos não aproveitaram a oportunidade para atacar e derrotar definitivamente o governo republicano, preferindo empenhar-se na organização de um novo Estado. Assim, os revolucionários abriram o tempo necessário para uma reação da burguesia.
O governo foi atribuído ao Conselho da Comuna, eleito por voto universal. Nos seus 72 dias de duração, a comuna confiscou as empresas cujos donos haviam fugido da cidade, estabeleceu o controle sobre os preços e a obrigatoriedade do ensino gratuito e obrigatório, prorrogou os prazos do pagamento dos aluguéis, dissolveu o exército e o substituiu pela Guarda Comunal, e separou o Estado da Igreja.
No episódio da Comuna a participação das mulheres foi acentuada, com destaque para Louise Michel, comandante de um batalhão feminino que tomou parte nos combates. Entre os estrangeiros sobressaíram o polonês Walery Wroblewsky, comandante do setor sul da Guarda Comunal, e o húngaro Leo Frankel, presidente da Comissão do Trabalho. Já entre os franceses brilhou Varlin, o encarregado da Intendência. A participação das mulheres, estrangeiros e trabalhadores atendia ao apelo de Marx: 'Proletários de todo o mundo: uni-vos.'
No período de 22 a 28 de maio de 1871, conhecido como a Semana Sangrenta, o exército republicano, comandado por MacMahon, invadiu Paris com 100 mil homens e fez 30 mil vítimas fatais. Após a derrota da comuna, o governo republicano aplicou ainda cerca de 36 mil condenações, distribuindo penas de morte, exílio e reclusões.
Local da exposição
O espaço ocupado pelo Museu da Cidade de Campinas, que pertenceu à Fábrica de Máquinas Agrícolas Lidgerwood, foi construído em 1896. O edifício localizado praticamente em frente à estação ferroviária, apresenta tijolos expostos no exterior e paredes propositadamente descascadas no interior, formando um conjunto capaz de transportar o visitante no tempo.
Endereço: Av. Andrade Neves, 33, centro de Campinas
Preço: gratuito
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