Professores de 7 das 60 melhores escolas de SP não vão receber bônus
FÁBIO TAKAHASHI
EVANDRO SPINELLI
da Folha de S.Paulo
Apesar de estarem entre as 60 melhores escolas da rede estadual na cidade de São Paulo, em sete delas os professores não receberão bônus por desempenho ou terão a gratificação reduzida, pois os colégios recuaram no indicador de qualidade.
Nessa situação, por exemplo, está a Professor Ennio Voss (no Brooklin, zona sul), que teve a nota mais alta de 5ª a 8ª série.
A Secretaria da Educação estabeleceu metas de melhoria para cada escola, com base no Idesp (índice que considera a nota dos estudantes em português, matemática e dados de evasão e reprovação).
Se a unidade atingir o patamar, professores e funcionários da ganharão 2,4 salários adicionais --ou 2,9 salários, caso a unidade passe o objetivo.
Devido a essa metodologia, professores de seis escolas de 5ª a 8ª na capital e uma de ensino médio, apesar de estarem entre as primeiras posições do ranking, não receberão o benefício, pois tiveram Idesp 2008 menor que o de 2007 (a reportagem analisou as 20 melhores escolas de 1ª a 4ª, 5ª a 8ª e ensino médio da capital).
A assessoria de imprensa da Secretaria da Educação do governo José Serra (PSDB) informou ontem que qualquer unidade que recuou ou estagnou no indicador não receberá o benefício. O objetivo do bônus, diz a pasta, é que todas as unidades melhorem, mesmo as que já estavam melhores que as outras. O governo afirma ainda que, por estarem com indicadores altos, o avanço esperado nestas unidades é menor.
Na escola Professor Ennio Voss, o Idesp 2007 foi de 4,33, numa escala de 0 a 10. No ano seguinte, recuou para 4,13, com uma meta de 4,4. A reportagem não conseguiu contato com a direção da unidade.
"Absurdo"
"Não pagar bônus para professores das melhores escolas é um absurdo, porque elas já estavam em um patamar muito alto", disse o presidente da Udemo (sindicato dos diretores das escolas estaduais), Luiz Gonzaga de Oliveira Pinto.
Já para o pesquisador da USP e Ibmec SP Naércio Menezes Filho, a metodologia está correta. "Há espaço para todas as escolas melhorarem. Não seria justo pagar para uma que não avançou nada."
A Secretaria de Estado da Educação afirmou que vai estudar o motivo pelo qual essas melhores escolas perderam rendimento.
Caso o professor trabalhe apenas na etapa de uma unidade que não atingiu a meta, ele não receberá nenhuma bonificação. Caso trabalhe em outra que tenha atingido o objetivo, o pagamento será proporcional.
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