Educação
29/08/2001 - 17h07

MEC reprova 81 cursos de pós-graduação

LEILA SUWWAN
RENATA DE GÁSPARI VALDEJÃO

da Folha de S.Paulo

A avaliação de cursos de pós-graduação da Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior) reprovou 81 cursos de universidades brasileiras que obtiveram conceitos "1" e "2" de um total possível de 7 pontos. Esses cursos podem ser descredenciados pelo MEC (Ministério da Educação) até o final do ano.

Os resultados da avaliação, apresentados hoje pelo ministro Paulo Renato Souza, também mostram que as universidades públicas federais têm mais cursos de pós-graduação avaliados com nota "7" que as universidades estaduais paulistas, que tradicionalmente lideravam a lista.

Os alunos atuais dos cursos mal avaliados, 5% do total, poderão concluir a pós-graduação e terão diplomas reconhecidos pelo MEC, contanto que tenham ingressado no programa quando ainda tinha no mínimo o conceito "3". Os cursos reprovados não poderão aceitar novos alunos, cujos diplomas não serão reconhecidos pelo MEC.

As universidades têm até 14 de setembro para recorrer do resultado. "Esperamos entre 20% e 30% de recursos", afirmou Paulo Renato. Depois desse prazo, o Conselho Nacional de Educação e o ministro da Educação devem homologar o resultado e os cursos devem ser descredenciados. "Até dezembro nós teremos uma posição final", garantiu Paulo Renato.

Na última avaliação da Capes, em 1998, apenas 46 cursos de pós-graduação foram reprovados e tiveram a opção de fechar ou se reestruturar.

Os conceitos "3", "4" e "5", correspondentes aos cursos de nível médio, bom e muito bom, foram atribuídos a 86% dos programas no país. A concentração das avaliações nesta faixa se explica pelo crescimento do número total de cursos oferecidos, já que todos os cursos de pós-graduação novos precisam ser avaliados pela Capes antes de funcionar.

Em 1995 havia 1.184 cursos de mestrado e 668 de doutorado no país. Hoje, são 1.511 e 846, respectivamente. As universidades federais, que mais cresceram na área de pós-graduação desde 1998, são responsáveis por mais da metade de ambos os programas. Antes, a maioria dos cursos era oferecida pelas universidades estaduais paulistas.

Esta é a primeira avaliação final da Capes que incorpora os conceitos "6" e "7", aplicados aos cursos de pós-graduação que tenham mestrado e nível de excelência internacional. Esses conceitos foram obtidos por 9% dos programas.

A maioria dos cursos de pós-graduação mais bem avaliada no Sudeste pertence à USP (Universidade de São Paulo), Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) e a UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro).

No Centro-Oeste, os melhores programas são da UnB (Universidade de Brasília) e, no Sul, são da UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul) e da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina).

No Norte, nenhum curso teve a nota máxima de "7". Apenas o programa de física da UFPE (Universidade Federal de Pernambuco) teve nota "7" no Nordeste.

Um dos fatores levados em conta é o grau de inserção da produção científica, artística, cultural e tecnológica em publicações internacionais por parte dos professores dos cursos.

Segundo o presidente da Capes, Abílio Baeta, cada área é considerada de acordo com a relevância de inserção internacional. Na área das exatas biológicas, a comunidade de referência é a internacional e as publicações devem ser feitas em revistas internacionais. Na área de ciências sociais aplicadas, se espera que apenas 20% das publicações tenham inserção internacional.

Depois das áreas relativamente novas no Brasil, como matérias multidisciplinares, a área de pós-graduação pior avaliada é a da ciências da saúde, que inclui medicina, enfermagem, nutrição, fonoaudiologia e educação física, entre outros.

Segundo Abílio Baeta, isso ocorreu porque os critérios de avaliação se tornaram mais rigorosos, devido à necessidade de homogeneização dos resultados entre todas as áreas.

Dos 21 programas de pós-graduação reprovados do Estado de São Paulo _um quarto do total_, 15 são da área de ciências da saúde. Na USP, foram reprovados os programas de gastroenterologia clínica, obstetrícia e ginecologia, ortodontia, periodontia e medicina legal.

A Folha não conseguiu entrar em contato com o professor Irineu Velasco, diretor do Hospital Universitário da USP e membro do comitê de avaliação da Capes.

"A área que mais refletiu queda foi a de ciências da saúde", disse Abílio Baeta. "Isso aponta para mudanças importantes na formulação desses cursos", completou.

Na área de ciências sociais nenhum curso obteve nota "7". Para Paulo Renato, a avaliação da Capes ajuda a "fixar um padrão de qualidade internacional" necessário para o crescimento do país.

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