Com foco em interpretação, prova da FGV será no próximo domingo
RICARDO GALLO
da Folha de S.Paulo
Gabriela e Eduardo têm 18 anos, prestarão vestibular para administração de empresas e nem querem saber da Fuvest.
Os dois decidiram disputar vaga em universidades particulares quase tão concorridas quanto as públicas, com mensalidades acima de R$ 2.000 e uma promessa: render-lhes, em troca, emprego certo e salário (bem) alto no futuro.
Gabriela Canhadas quer a FGV (Fundação Getulio Vargas), cujo vestibular será neste domingo. Eduardo Pereira está prestando FGV e Insper (antiga Ibmec-SP, cuja prova foi anteontem). "USP e Unesp nem me interessam", diz Gabriela, desde o início do ano no cursinho Intergraus.
As razões da escolha, afirmam, são a "grife" da universidade e a boa empregabilidade. "Você já sai do curso com emprego", diz o rapaz.
As duas universidades afirmam ter dados que confirmam a tese: segundo o Insper, 95% dos alunos saem dali empregados; a FGV diz que mais de 80% são efetivados ao se formarem. Uma pesquisa de 2008 da universidade mostrou que, após cinco anos de formados, os salários dos ex-alunos variam de R$ 7.500 a R$ 14,1 mil.
O preço por essa propalada vantagem é caro: a mensalidade no Insper custa cerca de R$ 2.300; na FGV, R$ 2.266. As universidades afirmam dar bolsas para parte dos estudantes.
Os cursos duram quatro anos e os primeiros têm aulas em tempo integral.
Tal qual ocorre na maioria dos casos, os pais de Gabriela e Eduardo bancarão os estudos deles. Ela quer atuar com marketing ou numa consultoria; ele, no mercado financeiro.
Na FGV, o vestibular prioriza interpretação. "O vestibular procura mapear a capacidade de compreensão e interpretação do candidato, seu conhecimento dos principais temas em discussão no Brasil e no mundo e o acompanhamento das notícias com impacto direto sobre a vida dos brasileiros", diz o professor Francisco Aranha, coordenador do curso de administração. "Não há como se preparar na última hora."
As questões são sobre matemática, português, inglês, história, geografia e atualidades -não caem matérias como física, química e biologia, como na Fuvest. "O vestibular [da FGV] é mais focado. Todas as nossas provas contribuem para a busca de alunos dentro do perfil desejado para administração."
Há 200 vagas --150 para administração e 50 para administração pública. A concorrência é forte: houve 17 candidatos por vaga no vestibular anterior --na USP, em 2008, foram 23.
No Insper, a relação candidato/vaga é a mesma. No vestibular, há apenas questões de matemática e português --a redação é eliminatória.
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