Polícia prende manifestantes durante protesto pela retirada da PM na USP
OTÁVIO PINHEIRO
Claboração para a Folha Online
Atualizado às 18h35.
Ao menos dois manifestantes foram detidos durante protesto que acontece desde o início da tarde desta terça-feira na USP, informou a Polícia Militar. De acordo com a polícia, entre os manifestantes detidos está o sindicalista Claudionor Brandão --ex-diretor do Sintusp (Sindicato dos Trabalhadores da USP) recentemente demitido-- e um funcionário.
| Almeida Rocha/Folha Imagem |
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| Polícia Militar lança bombas de efeito moral durante manifestação ocorrida nesta terça na USP, zona oeste de São Paulo |
Segundo o sindicato dos funcionários da universidade, entretanto, o número de pessoas presas é maior --cerca de dez, incluindo estudantes universitários.
Ainda de acordo com o sindicato, a manifestação --que pede a retirada da PM do campus da USP-- começou de forma pacífica. O órgão nega que os manifestantes tenham iniciado o confronto com paus e pedras, e diz que a PM que deu início à briga ao atirar bombas de efeito moral. Não há informações sobre feridos.
De acordo com a CET (Companhia de Engenharia de Tráfego) o portão 1 de acesso à USP --localizada na rua Alvarenga-- foi bloqueada pelos manifestantes. Às 18h25, muitos manifestantes haviam se deslocado para a área próxima à reitoria da universidade.
Conforme o Sintusp (sindicato dos funcionários), o ato envolveria alunos, funcionários e professores da USP, Unesp e Unicamp, convocados pelo Fórum das Seis --que representa funcionários, professores e estudantes das três universidades paulistas.
O grupo pede a reabertura das negociações com o Cruesp (Conselho de Reitores das Universidades Estaduais Paulistas) e a retirada da PM do campus da USP. Desde o dia 1º, policiais militares permanecem na USP para evitar que funcionários, em greve desde 5 de maio, bloqueiem a entrada de prédios, incluindo o da reitoria, impedindo a entrada dos que não apoiam a greve, que é parcial.
Os grevistas querem reajuste salarial de 16%, mais R$ 200 fixos, além do fim de processos administrativos contra servidores e alunos que participaram de protesto anterior --que resultou em dano ao patrimônio.
Em resposta à permanência da PM, professores e alunos, que não haviam aderido à paralisação, decidiram entrar em greve na última quinta-feira. Nesta terça, o governador José Serra (PSDB) afirmou que o governo cumpre uma ordem judicial e, por isso, mantém a PM na universidade.
"A questão é a seguinte: o governo está cumprindo ordem judicial. A reitora pediu segurança e o governo não tem outra alternativa se não cumprir a ordem judicial dada por um juiz", disse.
As negociações entre o Cruesp e o Fórum das Seis estão paradas desde 25 de maio. Na ocasião, um grupo de estudantes invadiu a reitoria após os reitores impedirem parte dos alunos e um sindicalista de participar da reunião.
Protesto
Para Gabriel Casoni, que faz parte do DCE (Diretório Central dos Estudantes) da USP, a reitoria e o governo estadual adotaram uma política impeditiva ao diálogo e optaram por usar força policial para impor seus interesses. "Por meio de nosso movimento, vamos exigir a retirada da polícia do campus. Não vamos negociar enquanto a polícia estiver aqui", afirmou.
O estudante disse ainda que espera uma nova uma negociação com o Cruesp. "Estamos fechando o portão da USP porque o Cruesp fechou as negociações, e a reitoria chamou a polícia".
Um dos diretores da Adusp (Associação dos Docentes da USP), Marco Brinati, pediu a saída da polícia do campus e a abertura de diálogo e negociação. "Essa força militar não faz sentido, é uma reação da universidade e da reitoria contra os trabalhadores".
| Almeida Rocha/Folha Imagem | ||
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| Policiais militares reprimem manifestação na USP, zona oeste de SP; bombas de efeito moral foram lançadas |
Com Folha de S.Paulo e Agência Brasil
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