Educação
09/06/2009 - 18h28

Polícia prende manifestantes durante protesto pela retirada da PM na USP

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OTÁVIO PINHEIRO
Claboração para a Folha Online

Atualizado às 18h35.

Ao menos dois manifestantes foram detidos durante protesto que acontece desde o início da tarde desta terça-feira na USP, informou a Polícia Militar. De acordo com a polícia, entre os manifestantes detidos está o sindicalista Claudionor Brandão --ex-diretor do Sintusp (Sindicato dos Trabalhadores da USP) recentemente demitido-- e um funcionário.

Almeida Rocha/Folha Imagem
Polícia Militar lança bombas de efeito moral durante manifestação ocorrida nesta terça na USP, zona oeste de São Paulo
Polícia Militar lança bombas de efeito moral durante manifestação ocorrida nesta terça na USP, zona oeste de São Paulo

Segundo o sindicato dos funcionários da universidade, entretanto, o número de pessoas presas é maior --cerca de dez, incluindo estudantes universitários.

Ainda de acordo com o sindicato, a manifestação --que pede a retirada da PM do campus da USP-- começou de forma pacífica. O órgão nega que os manifestantes tenham iniciado o confronto com paus e pedras, e diz que a PM que deu início à briga ao atirar bombas de efeito moral. Não há informações sobre feridos.

De acordo com a CET (Companhia de Engenharia de Tráfego) o portão 1 de acesso à USP --localizada na rua Alvarenga-- foi bloqueada pelos manifestantes. Às 18h25, muitos manifestantes haviam se deslocado para a área próxima à reitoria da universidade.

Conforme o Sintusp (sindicato dos funcionários), o ato envolveria alunos, funcionários e professores da USP, Unesp e Unicamp, convocados pelo Fórum das Seis --que representa funcionários, professores e estudantes das três universidades paulistas.

O grupo pede a reabertura das negociações com o Cruesp (Conselho de Reitores das Universidades Estaduais Paulistas) e a retirada da PM do campus da USP. Desde o dia 1º, policiais militares permanecem na USP para evitar que funcionários, em greve desde 5 de maio, bloqueiem a entrada de prédios, incluindo o da reitoria, impedindo a entrada dos que não apoiam a greve, que é parcial.

Os grevistas querem reajuste salarial de 16%, mais R$ 200 fixos, além do fim de processos administrativos contra servidores e alunos que participaram de protesto anterior --que resultou em dano ao patrimônio.

Em resposta à permanência da PM, professores e alunos, que não haviam aderido à paralisação, decidiram entrar em greve na última quinta-feira. Nesta terça, o governador José Serra (PSDB) afirmou que o governo cumpre uma ordem judicial e, por isso, mantém a PM na universidade.

"A questão é a seguinte: o governo está cumprindo ordem judicial. A reitora pediu segurança e o governo não tem outra alternativa se não cumprir a ordem judicial dada por um juiz", disse.

As negociações entre o Cruesp e o Fórum das Seis estão paradas desde 25 de maio. Na ocasião, um grupo de estudantes invadiu a reitoria após os reitores impedirem parte dos alunos e um sindicalista de participar da reunião.

Protesto

Para Gabriel Casoni, que faz parte do DCE (Diretório Central dos Estudantes) da USP, a reitoria e o governo estadual adotaram uma política impeditiva ao diálogo e optaram por usar força policial para impor seus interesses. "Por meio de nosso movimento, vamos exigir a retirada da polícia do campus. Não vamos negociar enquanto a polícia estiver aqui", afirmou.

O estudante disse ainda que espera uma nova uma negociação com o Cruesp. "Estamos fechando o portão da USP porque o Cruesp fechou as negociações, e a reitoria chamou a polícia".

Um dos diretores da Adusp (Associação dos Docentes da USP), Marco Brinati, pediu a saída da polícia do campus e a abertura de diálogo e negociação. "Essa força militar não faz sentido, é uma reação da universidade e da reitoria contra os trabalhadores".

Almeida Rocha/Folha Imagem
Policiais militares reprimem manifestação na USP, zona oeste de SP; bombas de efeito moral foram lançadas
Policiais militares reprimem manifestação na USP, zona oeste de SP; bombas de efeito moral foram lançadas

Com Folha de S.Paulo e Agência Brasil

 

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