USP atribui confronto na universidade a ação de grupo radical
da Folha Online
da Folha de S.Paulo
Atualizado às 04h04.
A reitoria da Universidade de São Paulo emitiu na noite desta terça-feira uma nota lamentando os confrontos entre policiais e manifestantes na Cidade Universitária e atribuindo o conflito a uma "ação isolada" de um "grupo radical". Três pessoas foram detidas e ao menos um estudante acabou ferido após a briga.
Veja imagens do confronto entre policiais e estudantes na USP
Estudantes, funcionários e professores da USP realizaram, na tarde de ontem, protesto em frente à reitoria para pedir o reinício das negociações sobre reajustes com o Cruesp (Conselho de Reitores das Universidades Estaduais Paulistas) e a retirada da PM do campus da USP.
| Almeida Rocha/Folha Imagem |
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| Polícia Militar lança bombas de efeito moral durante manifestação ocorrida nesta terça na USP, zona oeste de São Paulo |
Desde o dia 1º, policiais militares permanecem na Cidade Universitária para evitar que funcionários, em greve desde 5 de maio, bloqueiem a entrada de prédios. Já as negociações com o conselho estão paradas desde 25 de maio, quando um grupo de estudantes invadiu a reitoria após serem impedidos de participar da reunião por melhorias salariais.
Os grevistas querem reajuste salarial de 16%, mais R$ 200 fixos, além do fim de processos administrativos contra servidores e alunos que participaram de protesto anterior --que resultou em dano ao patrimônio.
Segundo a polícia, o confronto de ontem começou quando manifestantes atacaram os policiais. O sindicato de funcionários nega a acusação e diz que a PM foi quem deu início à briga ao atirar bombas de efeito moral.
Sem aparecer publicamente, a reitora Suely Vilela acompanhou o confronto. Em nota, a reitoria diz que o grupo de manifestantes depredou patrimônios públicos, "resultando em cenas inadmissíveis dentro do ambiente universitário, no qual o diálogo deve ser sempre privilegiado".
Durante toda a tarde e a noite de terça, Vilela foi procurada pela reportagem da Folha para comentar o confronto. Desde o último dia 2, o jornal tenta obter uma entrevista com a reitora, sem sucesso --até hoje, foram feitos ao menos dez pedidos, todos negados. Desde a semana passada, a reitora só se manifesta por meio de notas.
À noite, uma comissão de estudantes, professores e dois deputados estaduais foi recebida pelo vice-reitor, Franco Lajolo, que prometeu a retirada da polícia do campus com a condição de que os manifestantes cessassem os piquetes de greve.
Após reunião em assembleia, os estudantes marcaram uma nova manifestação para a manhã desta quarta-feira em frente ao prédio da reitoria. O grupo pretende realizar uma passeata até a avenida Paulista, segundo a direção do Diretório Central dos Estudantes.
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