Chuva adia passeata de funcionários da USP pela avenida Paulista
FERNANDA PEREIRA NEVES
Colaboração para a Folha Online
Atualizado às 21h39.
A passeata que seria realizada por funcionários, alunos e professores da USP (Universidade de São Paulo) nesta quarta-feira foi adiada devido ao mau tempo, segundo funcionários. A decisão foi tomada em assembleia realizada hoje. Procurados para comentar o assunto, os estudantes não informaram a causa do cancelamento.
Ambos dizem que o ato foi adiado para a próxima terça-feira, entretanto, ainda não definiram o horário.
Nas reuniões realizadas hoje eles discutiram o confronto ocorrido ontem (9) entre grevistas e policiais militares dentro do campus. Foram quase 80 minutos de confronto, gritos e muita correria.
Veja imagens do confronto entre policiais e estudantes na USP
Os alunos da universidade já haviam se reunido na noite de terça-feira, após o confronto e decidiram realizar a concentração em frente ao prédio da reitoria, por volta das 12h, antes da passeata. Em nota, o DCE (Diretório Central dos Estudantes) afirmou que a passeata iria acontecer como forma de protesto contra a permanência da PM no campus e contra a reitora da USP, Sueli Vilela.
Segundo o diretor do Sintusp (Sindicato dos Trabalhadores da USP), Magno de Carvalho, a reitora não tem "condições morais de permanecer no cargo" após os confrontos de ontem em que três pessoas foram detidas, sendo um funcionário, um aluno e o sindicalista Claudionor Brandão --ex-diretor do Sintusp (Sindicato dos Trabalhadores da USP), recentemente demitido.
A Adusp (Associação dos Docentes da USP) classificou o cenário de ontem como uma "instalação de verdadeira praça de guerra no campus Butantã" e, por isso, convocou uma nova assembleia geral para a manhã de hoje, no Anfiteatro da Geografia. Até as 9h30, o sindicato ainda não sabia se os professores também sairiam em passeata junto aos alunos e funcionários.
Cinco alunos e cinco PMs ficaram feridos durante o confronto de ontem. Um deles, um jovem que não teve o nome confirmado, foi atingido por uma bomba de efeito moral e levado ao Hospital Universitário com ferimentos leves.
A Polícia Militar informou, em nota, que vai continuar no campus Butantã da USP até que a situação volte à normalidade. A assessoria da PM informou que não tem conhecimento da passeata e, por isso, ainda não possui um esquema de segurança para acompanhar os manifestantes.
Desde o dia 1º, policiais militares permanecem na USP para evitar que funcionários, em greve desde 5 de maio, bloqueiem a entrada de prédios, incluindo o da reitoria, impedindo a entrada dos que não apoiam a greve, que é parcial.
Confronto
O confronto teve início na tarde de terça (9), quando manifestantes teriam atacado os policiais militares com pedras e paus, segundo a assessoria da Polícia Militar. O sindicato de funcionários, entretanto, nega que os manifestantes tenham iniciado e diz que a PM que deu início à briga ao atirar bombas de efeito moral. O DCE também afirmou que a manifestação era pacifica.
De acordo com a CET (Companhia de Engenharia de Tráfego) o portão 1 de acesso à USP --localizada na rua Alvarenga-- chegou a ser bloqueada pelos manifestantes por mais de uma hora. Porém, por volta das 19h a via havia sido liberada, informou o órgão.
Os manifestantes pedem a reabertura das negociações com o Cruesp (Conselho de Reitores das Universidades Estaduais Paulistas) e a retirada da PM do campus da USP.
Os grevistas querem reajuste salarial de 16%, mais R$ 200 fixos, além do fim de processos administrativos contra servidores e alunos que participaram de protesto anterior --que resultou em dano ao patrimônio.
As negociações entre o Cruesp e o Fórum das Seis estão paradas desde 25 de maio. Na ocasião, um grupo de estudantes invadiu a reitoria após os reitores impedirem parte dos alunos e um sindicalista de participar da reunião.
| Almeida Rocha/Folha Imagem | ||
![]() |
||
| Policiais militares reprimem manifestação na USP, zona oeste de SP; bombas de efeito moral foram lançadas |
Com Folha de S.Paulo
Leia mais sobre o protesto na USP
- Estudante da USP fica ferido em confronto com a polícia e vai para hospital
- Polícia prende manifestantes durante protesto pela retirada da PM na USP
- Polícia joga novas bombas contra manifestantes da USP; protesto pede retirada da PM
Outras notícias da editoria de Educação
- Cai taxa de formação de doutores no Brasil
- FEI divulga gabaritos de engenharia e administração; veja o resultado
Especial
- Veja o que existe em arquivo sobre a USP
- Navegue no melhor roteiro de cultura e diversão da internet
livraria


