Educação
16/06/2009 - 02h40

Diretores da USP lançam manifesto em apoio à reitora; veja quais dirigentes apoiam a reitoria

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da Folha de S.Paulo

Trinta e oito dirigentes de unidades da USP (de um total de 46 dedicadas ao ensino e à pesquisa e centros e institutos especializados) subscreveram ontem um manifesto em que reiteram "total apoio à reitora no desempenho de seu papel institucional".

No mesmo texto, conclamaram "toda a comunidade universitária ao entendimento em torno do respeito ao direito de greve e da livre expressão de ideias, refutando qualquer tipo de violência, seja por grevistas ou por policiais".

Almeida Rocha-10.jun.2009/Folha Imagem
Polícia Militar lança bombas de efeito moral durante manifestação ocorrida nesta terça na USP, zona oeste de São Paulo
Polícia Militar lança bombas de efeito moral durante manifestação ocorrida nesta terça na USP, zona oeste de São Paulo

O manifesto foi divulgado seis dias depois dos violentos confrontos entre a PM, de um lado, e docentes, alunos e funcionários, de outro, no dia 9, em pleno campus da USP no Butantã (zona oeste), e que deixaram dez feridos.

No dia seguinte ao episódio, assembleia da Adusp (Associação dos Docentes da USP) aprovou por unanimidade a exigência de renúncia da reitora Suely Vilela, a quem responsabilizou pelo conflito. Mesma exigência das entidades de alunos e funcionários.

Segundo Vilela, a presença da PM no campus objetivou "o equilíbrio entre o direito de greve e o direito de ir e vir das pessoas". Ela pediu na Justiça a reintegração de posse de oito edifícios da USP, "cujos acessos estavam obstruídos".

O texto dos diretores percorre a mesma linha. Enfatiza que "as manifestações e atos de persuasão utilizados pelos grevistas devem preservar o acesso ao trabalho, sem causar ameaça ou dano às pessoas ou ao patrimônio público, como os que geraram (...) a necessidade das ações judiciais de reintegração de posse e a subsequente presença da polícia no campus".

Entre os dirigentes que não subscreveram o manifesto divulgado está Sandra Margarida Nitrini, diretora da FFLCH (Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas), que emitiu um comunicado próprio, com teor bem mais crítico à atuação da PM.

Segundo o texto, "mesmo com a tentativa de mediação da direção da FFLCH junto ao comandante (...) da PM, bombas de efeito moral foram atiradas sobre o estacionamento do prédio de Geografia e História, tendo seus gases invadido o edifício, onde se encontravam muitos professores, alunos e funcionários. (...) Inquieta-nos o fato de ser a primeira agressão direta sofrida pela faculdade desde 1968".

Veja a lista completa de dirigentes que apoiam a reitora da USP

  • Glaucius Oliva - Instituto de Física de São Carlos;
  • Alejandro Szanto de Toledo - Instituto de Física;
  • Augusto César Cropanese Spadaro - Faculdade de Ciências Farmacêuticas de Ribeirão Preto;
  • Luiz Fernando Pegoraro - Faculdade de Odontologia de Bauru;
  • Welington Braz Carvalho Delitti - Instituto de Biociências;
  • Maria do Carmo Calijuri - Escola de Engenharia de São Carlos;
  • Nei Fernandes de Oliveira Júnior - Escola de Engenharia de Lorena;
  • Sebastião de Sousa Almeida - Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto;
  • José Antonio Visintin - Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia;
  • Benedito Carlos Maciel - Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto;
  • Maria Cristina de Souza Campos - Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade de Ribeirão Preto;
  • Luiz Roberto Giorgetti de Britto - Instituto de Ciências Biomédicas;
  • Osvaldo Luiz Bezzon - Faculdade de Odontologia de Ribeirão Preto;
  • Go Tani - Escola de Educação Física e Esporte;
  • Oswaldo Baffa Filho - Centro de Informática de Ribeirão Preto;
  • Paulo Domingos Cordaro - Instituto de Matemática e Estatística;
  • Yolanda Dora Martinez Évora - Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto;
  • Ivan Gilberto Sandoval Falleiros - Escola Politécnica;
  • Colombo Celso Gaeta Tassinari - Instituto de Geociências;
  • Emma Otta - Instituto de Psicologia;
  • Ana Maria S. Pires Vanin - Instituto Oceanográfico;
  • Hans Viertler - Instituto de Química;
  • José Alberto Cuminato - Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação;
  • Ignácio Maria Poveda Velasco - Faculdade de Direito de Ribeirão Preto;
  • Holmer Savastano Júnior - Faculdade de Zootecnia e Engenharia de Alimentos;
  • Chester Luiz Galvão César - Faculdade de Saúde Pública;
  • João Grandino Rodas - Faculdade de Direito;
  • Antonio Roque Dechen - Escola Superior de Agricultura "Luiz de Queiroz";
  • Valdir José Barbanti - Escola de Educação Física e Esporte de Ribeirão Preto;
  • Sylvio Barros Sawaya -Faculdade de Arquitetura e Urbanismo;
  • Edson Antonio Ticianelli - Instituto de Química de São Carlos;
  • Isilia Aparecida Silva - Escola de Enfermagem;
  • Carlos Roberto Azzoni - Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade;
  • Tércio Ambrizzi - Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas;
  • Dulcinéia Saes Parra Abdalla - Faculdade de Ciências Farmacêuticas;
  • Marcos Boulos - Faculdade de Medicina;
  • Carlos de Paula Eduardo - Faculdade de Odontologia;
  • Dante De Rose Júnior - Escola de Artes, Ciências e Humanidades
Comentários dos leitores
eduardo kawamura (1) 29/06/2009 11h39
eduardo kawamura (1) 29/06/2009 11h39
Prezados,
Entendo os motivos de grande parte das críticas tecidas aqui quanto à greve de professores e estudantes das Universidades paulistas. Entendo por que durante 30 anos anos achei que a Universidade Pública seria apenas um lugar de privilegiados, longe da realidade de um jovem pobre da zona leste de São Paulo. Depois de formado, resolvi prestar pedagogia da Unicamp, achando que poderia fazer alguma coisa por aqueles tantos que vi ficarem no caminho, excluídos. Pensei que deveria então montar uma escola, sei lá... a escola pública não tem jeito mesmo!! Conhecendo um pouco mais os mecanismos da educação, políticas públicas, Governo PSDB, pude perceber o quão nefasto era todo este sistema. Em qualquer país que se preste, a educação é de qualidade e gratuita, os professores são bem remunerados e bem formados, não pela internet, como quer o governador. Se alguém aqui realmente está preocupado com a educação pública, deve pensar nisso e acompanhar os projetos de lei aprovadas recentemente, as PLs da educação que precarizam ainda mais o trabalho dos professores. E quem achar que deve ser um"amigo da escola", não deve esquecer da quantidade de impostos que paga para ir lá pintar as paredes que estão caindo por falta de responsabilidade do Estado. Estamos apenas lutando para que todos possam ter o direito de cursar uma escola e universidade públicas com qualidade.
sem opinião
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Rodrigo Marcato (215) 26/06/2009 08h57
Rodrigo Marcato (215) 26/06/2009 08h57
É realmente triste ver a parcialidade de uma parte dos comentários aqui postados. Um que me chamou particularmente a atenção foi "esses grupos que se autodenominam 'antigrevistas' em parte devem ser de dissidentes de chapas que perderam a eleição para o DCE. Outro parece que são pessoas ligadas a partidos de direita e do governo". Ora, então quer dizer que não há nada errado em ligar-se a um partido de esquerda oposicionista mas a um de direita governista não pode? Que falta de bom senso, a esquerda universitária sempre foi filiada ao PSTU e ao seu discurso aberto contra um estrato da sociedade brasileira. Ou alguém desconhece o "contra burguês vote 16"? Ora, no caso dos estudantes dos DCEs e CAs eles SEMPRE gritaram pela derrubada do FHC enquanto este era presidente da república, e pelo meu entendimento isso também é conversa de derrotado em eleição. O que eles falavam basicamente é que o governo do FHC era ilegítimo e por isoo "fora FHC e fora FMI". O fato de ele ter sido bom ou mau presidente não tira a legitimidade que lhe foi conferida pelo voto popular. Se isso é permitido à esquerda porquê não deveria ser permitido à direita? Só acho que extremismo deve ser combatido, seja de esquerda ou de direita. 8 opiniões
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Flávio Ribeiro (11) 25/06/2009 18h35
Flávio Ribeiro (11) 25/06/2009 18h35
Olá Bruno, obrigado pelas informações que eu não sabia, eu tentei apenas simbolizar o quanto considero ultrapassado a concentração de representatividade política a poucos funcíonários.
Permita-me discordar caso esteja tentando dizer que o sistema político da Usp é perfeito ou mesmo "bom", um ambiente tão heterogênio deveria ter mais "focos" de poder político, onde alunos, representantes de cursos, funcionários teriam mais voz.
Como uma entidade pública de ensino e autônoma, ter todas as decisões rogadas a alguns eruditos e membros da sociedade, parece-me mínimamente "impositivo".
A melhora nos sistemas só acontesse quando há o maior número de cabeças pensando.
Aliás, se possível, explique melhor o sistema americano, se não, obrigado assim mesmo.
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