Educação
18/06/2009 - 15h25

Manifestação de alunos e professores da USP chega ao largo São Francisco

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FERNANDA PEREIRA NEVES
Colaboração para a Folha Online

A manifestação realiza por alunos, docentes e funcionários da USP, Unesp e Unicamp chegou por volta das 15h desta quinta-feira ao largo São Francisco (centro de São Paulo), ponto final da passeata iniciada no vão livre do Masp, na avenida Paulista. Os manifestantes encontraram o campus da Faculdade de Direito da universidade de portas fechadas. Segundo a Polícia Militar, 1.200 pessoas estão reunidas em frente ao prédio --a organização não deu estimativas.

A faculdade amanheceu fechada "como medida preventiva de proteção às pessoas que nela trabalham e circulam", de acordo com nota divulgada pelo diretor João Grandino Rodas.

Eduardo Knapp/Folha Imagem
Alunos, docentes e funcionários da USP protestam em São Paulo; passeata saiu da Paulista com destino ao largo São Francisco
Alunos, docentes e funcionários da USP protestam em São Paulo; passeata saiu da Paulista com destino ao largo São Francisco

Os manifestantes saíram do vão livre do Masp e seguiram pelo sentido Paraíso da Paulista até a avenida Brigadeiro Luís Antonio, onde caminharam até o largo São Francisco. O grupo protesta contra a presença da Polícia Militar no campus da USP e pede a saída da reitora da universidade, Suely Vilela.

Em frente ao prédio da Faculdade de Direito, funcionários e estudantes fazem discursos no caminhão de som. Ao longo da passeata, os manifestantes distribuíram panfletos com um manifesto contra a PM na USP e onde explica os motivos da greve.

Durante o trajeto, na esquina das avenidas Paulista e Brigadeiro Luís Antonio, um ovo foi arremessado de um prédio contra os manifestantes, mas não atingiu ninguém. Não foram registrados tumultos ou confrontos.

Para o diretor do Sintusp (Sindicato dos Trabalhadores da USP), Magno de Carvalho, fechar o prédio da Faculdade de Direito foi um ato de provocação do diretor do campus.

Em nota, publicada no site da faculdade, a diretoria alega que o fechamento do prédio, no dia em que a manifestação estava marcada, teve também o objetivo de proteger "seu patrimônio histórico e imobiliário, mobiliário e bibliográfico". As provas serão remarcadas, informa a nota.

Impactos

O trânsito ficou ruim na região da avenida Paulista durante a manifestação, que começou por volta das 14h. De acordo com a CET (Companhia de Engenharia de Tráfego), a pista sentido Paraíso da Paulista chegou a acumular 2 km de lentidão desde a Brigadeiro Luís Antonio. O protesto, no entanto, não causou impacto no índice de congestionamento da cidade --eram 61 km de lentidão por volta das 14h30, ou 7,3% das vias monitoradas.

Para evitar tumulto, mais de 200 policiais acompanham a passeata e outros 50 aguardavam os manifestantes no destino final da passeata, segundo o sargento da PM Vanderlei Barbosa, que comandante da operação.

Comentários dos leitores
eduardo kawamura (1) 29/06/2009 11h39
eduardo kawamura (1) 29/06/2009 11h39
Prezados,
Entendo os motivos de grande parte das críticas tecidas aqui quanto à greve de professores e estudantes das Universidades paulistas. Entendo por que durante 30 anos anos achei que a Universidade Pública seria apenas um lugar de privilegiados, longe da realidade de um jovem pobre da zona leste de São Paulo. Depois de formado, resolvi prestar pedagogia da Unicamp, achando que poderia fazer alguma coisa por aqueles tantos que vi ficarem no caminho, excluídos. Pensei que deveria então montar uma escola, sei lá... a escola pública não tem jeito mesmo!! Conhecendo um pouco mais os mecanismos da educação, políticas públicas, Governo PSDB, pude perceber o quão nefasto era todo este sistema. Em qualquer país que se preste, a educação é de qualidade e gratuita, os professores são bem remunerados e bem formados, não pela internet, como quer o governador. Se alguém aqui realmente está preocupado com a educação pública, deve pensar nisso e acompanhar os projetos de lei aprovadas recentemente, as PLs da educação que precarizam ainda mais o trabalho dos professores. E quem achar que deve ser um"amigo da escola", não deve esquecer da quantidade de impostos que paga para ir lá pintar as paredes que estão caindo por falta de responsabilidade do Estado. Estamos apenas lutando para que todos possam ter o direito de cursar uma escola e universidade públicas com qualidade.
sem opinião
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Rodrigo Marcato (215) 26/06/2009 08h57
Rodrigo Marcato (215) 26/06/2009 08h57
É realmente triste ver a parcialidade de uma parte dos comentários aqui postados. Um que me chamou particularmente a atenção foi "esses grupos que se autodenominam 'antigrevistas' em parte devem ser de dissidentes de chapas que perderam a eleição para o DCE. Outro parece que são pessoas ligadas a partidos de direita e do governo". Ora, então quer dizer que não há nada errado em ligar-se a um partido de esquerda oposicionista mas a um de direita governista não pode? Que falta de bom senso, a esquerda universitária sempre foi filiada ao PSTU e ao seu discurso aberto contra um estrato da sociedade brasileira. Ou alguém desconhece o "contra burguês vote 16"? Ora, no caso dos estudantes dos DCEs e CAs eles SEMPRE gritaram pela derrubada do FHC enquanto este era presidente da república, e pelo meu entendimento isso também é conversa de derrotado em eleição. O que eles falavam basicamente é que o governo do FHC era ilegítimo e por isoo "fora FHC e fora FMI". O fato de ele ter sido bom ou mau presidente não tira a legitimidade que lhe foi conferida pelo voto popular. Se isso é permitido à esquerda porquê não deveria ser permitido à direita? Só acho que extremismo deve ser combatido, seja de esquerda ou de direita. 8 opiniões
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Flávio Ribeiro (11) 25/06/2009 18h35
Flávio Ribeiro (11) 25/06/2009 18h35
Olá Bruno, obrigado pelas informações que eu não sabia, eu tentei apenas simbolizar o quanto considero ultrapassado a concentração de representatividade política a poucos funcíonários.
Permita-me discordar caso esteja tentando dizer que o sistema político da Usp é perfeito ou mesmo "bom", um ambiente tão heterogênio deveria ter mais "focos" de poder político, onde alunos, representantes de cursos, funcionários teriam mais voz.
Como uma entidade pública de ensino e autônoma, ter todas as decisões rogadas a alguns eruditos e membros da sociedade, parece-me mínimamente "impositivo".
A melhora nos sistemas só acontesse quando há o maior número de cabeças pensando.
Aliás, se possível, explique melhor o sistema americano, se não, obrigado assim mesmo.
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