Ato de alunos contra greve na USP gera confusão em assembleia de funcionários
FERNANDA PEREIRA NEVES
Colaboração para a Folha Online
Atualizado às 13h26.
O gramado em frente ao Sintusp (Sindicato dos Trabalhadores da USP) foi palco nesta sexta-feira de uma confusão envolvendo alunos contrários à greve e servidores da universidade. Houve bate-boca, e um grupo de estudantes acabou expulso do local.
O atrito ocorreu porque os estudantes foram ao local para fazer um piquenique e demonstrar que nem todos apoiam a paralisação. No exato momento, no entanto, era realizada uma assembleia dos servidores para avaliar o movimento de greve e a proposta para a retomada das negociações.
Os dois grupos começaram um bate-boca até que cerca de dez estudantes foram expulsos do local pelos grevistas. O piquenique, no entanto, foi mantido por cerca de 80 alunos, no gramado localizado nos fundos do prédio do Sintusp.
Murilo Lacerda, 19, estudante do terceiro ano de geofísica, afirma que o grupo não pretendia afrontar os funcionários. Segundo ele, a convocação foi feita no decorrer da semana por e-mail e pelo site de relacionamentos Orkut e que os estudantes não sabiam da assembleia, marcada ontem.
Yuri Duarte, aluno do último ano de engenharia da Poli, afirma que a manifestação dos estudantes é pacífica. "Não tínhamos intenção de confrontar ninguém. Queríamos fazer um piquenique no gramado em frente ao Sintusp para manifestar e mostrar que não são todos os alunos que concordam com a greve e com as reivindicações", afirmou.
A assembleia de hoje deveria começar às 11h na faculdade de história. De acordo com Magno de Carvalho, diretor do Sintusp, o local foi alterado depois que funcionários tiveram a informação que alunos invadiriam o sindicato.
Protesto e negociação
Professores e alunos estão em greve desde o último dia 5, em resposta à entrada da PM no campus para cumprir um mandado de reintegração de posse de prédios bloqueados por funcionários, em greve há 46 dias. No último dia 9, após um ato na USP, PMs entraram em um confronto com alunos e servidores, deixando um saldo de dez feridos.
Os manifestantes também querem a saída da reitora da universidade, Suely Vilela; reajuste salarial de 16%, mais R$ 200 fixos (o Cruesp oferece 6,05% de aumento); a readmissão do funcionário Claudionor Brandão e o fim de processos administrativos contra alunos e funcionários; e o fim da Universidade Virtual do Estado de SP (Cruesp diz que cursos a distância democratizam o ensino).
Segundo os funcionários, o Cruesp (Conselho de Reitores das Universidades Estaduais Paulistas) propôs a retomada das negociações a partir de segunda-feira (22). O Fórum das Seis --que representa funcionários, professores e estudantes das três universidades paulistas--, no entanto, quer a saída da PM do campus para negociar, e a Reitoria sinalizou que pode retirar os policiais, caso os grevistas se comprometam a não fazer novos piquetes.
As propostas são avaliadas hoje pelo Sintusp. O Fórum das Seis deve se reunir na próxima segunda-feira para analisar as propostas e o movimento grevista.
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Especial


Entendo os motivos de grande parte das críticas tecidas aqui quanto à greve de professores e estudantes das Universidades paulistas. Entendo por que durante 30 anos anos achei que a Universidade Pública seria apenas um lugar de privilegiados, longe da realidade de um jovem pobre da zona leste de São Paulo. Depois de formado, resolvi prestar pedagogia da Unicamp, achando que poderia fazer alguma coisa por aqueles tantos que vi ficarem no caminho, excluídos. Pensei que deveria então montar uma escola, sei lá... a escola pública não tem jeito mesmo!! Conhecendo um pouco mais os mecanismos da educação, políticas públicas, Governo PSDB, pude perceber o quão nefasto era todo este sistema. Em qualquer país que se preste, a educação é de qualidade e gratuita, os professores são bem remunerados e bem formados, não pela internet, como quer o governador. Se alguém aqui realmente está preocupado com a educação pública, deve pensar nisso e acompanhar os projetos de lei aprovadas recentemente, as PLs da educação que precarizam ainda mais o trabalho dos professores. E quem achar que deve ser um"amigo da escola", não deve esquecer da quantidade de impostos que paga para ir lá pintar as paredes que estão caindo por falta de responsabilidade do Estado. Estamos apenas lutando para que todos possam ter o direito de cursar uma escola e universidade públicas com qualidade.
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Permita-me discordar caso esteja tentando dizer que o sistema político da Usp é perfeito ou mesmo "bom", um ambiente tão heterogênio deveria ter mais "focos" de poder político, onde alunos, representantes de cursos, funcionários teriam mais voz.
Como uma entidade pública de ensino e autônoma, ter todas as decisões rogadas a alguns eruditos e membros da sociedade, parece-me mínimamente "impositivo".
A melhora nos sistemas só acontesse quando há o maior número de cabeças pensando.
Aliás, se possível, explique melhor o sistema americano, se não, obrigado assim mesmo.
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