Com saída da PM do campus da USP, grevistas e universidade retomam negociação
CLAYTON FREITAS
da Folha Online
Começou por volta das 14h20 desta segunda-feira a reunião entre o Fórum das Seis --que representa funcionários, professores e estudantes das três universidades paulistas (USP, Unesp e Unicamp)-- e o Cruesp (Conselho de Reitores das Universidades Estaduais Paulistas), no campus Butantã da USP, na zona oeste de São Paulo. É a primeira reunião entre as partes desde que os funcionários decidiram entrar em greve, em 5 de maio --em resposta à entrada da PM no campus, parte dos professores e estudantes da USP também aderiu à greve em 5 de junho.
A reunião de hoje é resultado de um acordo entre as categorias. A USP se comprometeu a tirar a Polícia Militar do campus e os funcionários prometeram não realizar piquetes durante as conversas.
Antes de entrar na reunião, Magno de Carvalho, diretor de base do Sintusp (Sindicato dos Trabalhadores da USP), afirmou que a saída da reitora, Suely Vilela, será uma das exigências. Ele usava um bottom, no ombro, com os dizeres "Fora Suely".
Entre outros pontos, ele reafirmou que a categoria reivindica reajuste salarial de 16%, mais R$ 200 fixos (o Cruesp oferece 6,05% de aumento); a readmissão do funcionário Claudionor Brandão e o fim de processos administrativos contra alunos e funcionários; e o fim da Universidade Virtual do Estado de SP (Cruesp diz que cursos a distância democratizam o ensino).
Para Carvalho, a retirada da PM do campus foi fundamental para a retomada das negociações. Ele, no entanto, criticou o comunicado da USP que afirma que a PM não estará presente apenas em dia de negociações.
Mais cedo, Carvalho afirmou que os piquetes não estão descartados e podem voltar a ser feitos a partir de amanhã.
Para o presidente da Adusp (Associação dos Docentes da USP), Otaviano Helene, a saída da PM não é uma condição para que as negociações sejam retomadas. Ele lembrou que em assembleia realizada no dia 10, os docentes já reivindicavam a saída de Suely.
Festa junina
Os grevistas prepararam uma festa junina para marcar a retomada das negociações.
Questionado se a festa é uma espécie de provocação, ele disse que o ato já estava marcado e originalmente seria feito nas unidades. No entanto, devido à greve, houve o que Carvalho chamou de "coincidência" de datas.
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Entendo os motivos de grande parte das críticas tecidas aqui quanto à greve de professores e estudantes das Universidades paulistas. Entendo por que durante 30 anos anos achei que a Universidade Pública seria apenas um lugar de privilegiados, longe da realidade de um jovem pobre da zona leste de São Paulo. Depois de formado, resolvi prestar pedagogia da Unicamp, achando que poderia fazer alguma coisa por aqueles tantos que vi ficarem no caminho, excluídos. Pensei que deveria então montar uma escola, sei lá... a escola pública não tem jeito mesmo!! Conhecendo um pouco mais os mecanismos da educação, políticas públicas, Governo PSDB, pude perceber o quão nefasto era todo este sistema. Em qualquer país que se preste, a educação é de qualidade e gratuita, os professores são bem remunerados e bem formados, não pela internet, como quer o governador. Se alguém aqui realmente está preocupado com a educação pública, deve pensar nisso e acompanhar os projetos de lei aprovadas recentemente, as PLs da educação que precarizam ainda mais o trabalho dos professores. E quem achar que deve ser um"amigo da escola", não deve esquecer da quantidade de impostos que paga para ir lá pintar as paredes que estão caindo por falta de responsabilidade do Estado. Estamos apenas lutando para que todos possam ter o direito de cursar uma escola e universidade públicas com qualidade.
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Permita-me discordar caso esteja tentando dizer que o sistema político da Usp é perfeito ou mesmo "bom", um ambiente tão heterogênio deveria ter mais "focos" de poder político, onde alunos, representantes de cursos, funcionários teriam mais voz.
Como uma entidade pública de ensino e autônoma, ter todas as decisões rogadas a alguns eruditos e membros da sociedade, parece-me mínimamente "impositivo".
A melhora nos sistemas só acontesse quando há o maior número de cabeças pensando.
Aliás, se possível, explique melhor o sistema americano, se não, obrigado assim mesmo.
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