Educação
06/09/2001 - 06h23

Engenharia de telecomunicações tem mercado em ascensão

FÁBIO PORTO SILVA
da Folha de S.Paulo

Em tempos de forte concorrência entre as operadoras de telefonia, a demanda por engenheiros de telecomunicações é grande. A carência de profissionais dessa área e os poucos cursos específicos aumentam ainda mais as perspectivas de emprego.

O engenheiro de telecomunicações é responsável pelo projeto, manutenção e operação de equipamentos e sistemas de transmissão de dados, seja via microondas, cabeamento óptico ou satélites artificiais. É peça fundamental tanto em prestadoras de serviços (como provedoras de internet fixa e móvel, concessionárias de telefonia e TV por assinatura) quanto em empresas que desenvolvem equipamentos e softwares.

A duração média do curso é de cinco anos, e as disciplinas básicas são as mesmas das outras engenharias. O conteúdo específico faz com que o aluno tenha sólida formação na área eletrônica e de computação. Portanto é preciso que goste de lidar com números e cálculos. Outras habilidades necessárias para o bom profissional incluem gosto pelo estudo, raciocínio lógico e sobretudo capacidade de adaptar-se a mudanças e às novas tecnologias.

Atualmente existem 16 cursos de engenharia de telecomunicações no país, incluindo os que são reconhecidos e autorizados pelo Ministério da Educação. Cursos reconhecidos são os que operam segundo padrões de qualidade do MEC, e os autorizados são os que estão em processo de reconhecimento, mas passaram por uma pré-avaliação do ministério.

A nomenclatura dos cursos existentes não é muito padronizada. "Existem muitos cursos de engenharia elétrica que dão alguma habilitação em telecomunicações nas universidades espalhadas pelo país", diz Ricardo Puttini, coordenador de graduação do curso de engenharia de redes de comunicação, da UnB (Universidade de Brasília). Segundo ele, a diferença desse curso para o de telecomunicações é a presença de temas como engenharia de software, banco de dados e criação de ambientes de rede Web.

A Escola Politécnica da USP (Universidade de São Paulo), por exemplo, oferece curso de engenharia elétrica com ênfase em telecomunicações. Outro caso é o de engenharia de comunicações do IME (Instituto Militar de Engenharia do Rio de Janeiro). A tendência é que os cursos da área dêem cada vez mais espaço para a telemática, que é a junção de informática e telecomunicações.

O IME planeja a criação do curso de engenharia telemática. Diplomas em cursos como ciência da computação, engenharia da computação e análise de sistemas também podem servir como porta de entrada para atuar no setor.

Há boas opções de cursos técnicos e profissionalizantes em nível médio, como o curso "técnico em telecomunicações com habilitação em operação de sistemas de comunicação", oferecido pela Cefet (Centro Federal de Educação Tecnológica de São Paulo).

Segundo Francisco Gabriel Capuano, gerente educacional de telemática do Cefet, o técnico especializa-se na operacionalização e manutenção das redes de transmissão de sinais, e o bacharel é responsável pelo planejamento, pesquisa, gerenciamento e desenvolvimento de produtos. No vestibular para ingressar na instituição o curso de telecomunicações é o mais procurado, com uma média de 14 candidatos por vaga.

É com expectativa de boas oportunidades de emprego que o estudante da Cefet André Luiz Pontes planeja prestar vestibular para engenharia elétrica com ênfase em telecomunicações na USP. Mas isso é só para 2003, porque antes Pontes pretende passar um ano estagiando em alguma empresa da área na Alemanha.

Ponto de equilíbrio

O fim do monopólio estatal da Telebrás em 1998 e a popularização da internet expandiram o setor de telecomunicações. Apesar disso, desde o início deste ano, grandes empresas como Lucent, Nortel e Alcatel vêm anunciando cortes de funcionários.

Para o diretor-geral da agência de recrutamento Korn Ferry, Robert Wong, está havendo um enxugamento no setor, já que muitas empresas estão terceirizando departamentos inteiros.

O diretor de marketing da Associação Brasileira das Empresas Prestadoras de Serviços em Telecomunicações, Sídnei Bispo, compara a situação do mercado com o setor de internet: "Houve muita demanda por especialistas, muita expectativa de lucros e agora o setor vem buscando seu ponto de equilíbrio".

O contexto de "incertezas", como a reestruturação do mercado norte-americano, a crise argentina, a desvalorização do real em relação ao dólar e a proximidade das eleições no país, contribui para o cenário de desaceleração do mercado.

Na avaliação da vice-presidente-executiva da agência de recrutamento Catho, Silvana Case, a retração do mercado no Brasil não é significativa. Na Catho, o setor que mais emprega é o de telecomunicações. De acordo com Silvana, a demanda atual é de 150 vagas por ano.

Outras opções para quem quer trabalhar com telecomunicações são os cursos de engenharia elétrica, engenharia de computação, ciência da computação e análise de sistemas.

Cursos

Confira abaixo a lista de cursos de engenharia de telecomunicações autorizados pelo MEC:

  • Univ. Federal Fluminense (RJ)
  • Univ. Regional de Blumenau (SC)
  • Fac. Assis Gurgacz (Cascavel, PR)
  • Univ. Católica de Petrópolis (RJ)
  • Instituto de Ensino Superior COC (Ribeirão Preto, SP)
  • Centro Universitário de Rio Preto (São José do Rio Preto, SP)
  • Univ. Anhembi Morumbi (SP)
  • Univ. Estácio de Sá (RJ)
  • Univ. São Marcos (São Paulo, SP)
  • Faculdade de Ciências Aplicadas de Minas (Uberlândia, MG)
  • Univ. de Taubaté (SP)
  • Centro Federal de Educação Tecnológica da Bahia (Salvador, BA)
  • Univ. Cidade de São Paulo (SP)
  • Centro Universitário Salesiano de São Paulo (Campinas, SP)
  • Faculdade de Tecnologia e Ciências (Salvador, BA)

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