Após greve de 57 dias, serviços da USP não voltam a funcionar
TALITA BEDINELLI
da Folha de S.Paulo
Um dia depois do fim da greve da USP, restaurantes universitários (bandejões) e ônibus circulares permaneciam sem funcionar ontem.
Segundo a reitoria da universidade, os dois principais serviços afetados pela greve ainda não têm previsão de retorno. Os ônibus passam por revisão e os bandejões, por limpeza.
As aulas também não retornaram na maioria dos cursos paralisados pela greve dos professores, iniciada em 5 de junho. Na tarde de ontem, não havia nenhum professor em aula nas faculdades de História, Geografia e Ciências Sociais. No curso de filosofia, apenas uma aula acontecia. Só na Faculdade de Educação as atividades já haviam retornado normalmente, de acordo com a diretoria da unidade.
Segundo a diretoria da FFLCH (Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas) e da Educação, as duas principais afetadas pela greve, o calendário de reposição das aulas será decidido hoje.
Apesar de uma assembleia com cerca de 300 estudantes anteontem decidir manter a greve, ontem as faixas que divulgavam a paralisação nas faculdades foram retiradas. De acordo com o DCE (Diretório Central Estudantil da USP), é provável que os alunos decidam nas assembleias de cada curso suspender a greve.
O DCE defende que a greve dos estudantes termine, mas encontra a oposição de alunos que fazem parte de movimentos mais radicais dentro da universidade.
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Entendo os motivos de grande parte das críticas tecidas aqui quanto à greve de professores e estudantes das Universidades paulistas. Entendo por que durante 30 anos anos achei que a Universidade Pública seria apenas um lugar de privilegiados, longe da realidade de um jovem pobre da zona leste de São Paulo. Depois de formado, resolvi prestar pedagogia da Unicamp, achando que poderia fazer alguma coisa por aqueles tantos que vi ficarem no caminho, excluídos. Pensei que deveria então montar uma escola, sei lá... a escola pública não tem jeito mesmo!! Conhecendo um pouco mais os mecanismos da educação, políticas públicas, Governo PSDB, pude perceber o quão nefasto era todo este sistema. Em qualquer país que se preste, a educação é de qualidade e gratuita, os professores são bem remunerados e bem formados, não pela internet, como quer o governador. Se alguém aqui realmente está preocupado com a educação pública, deve pensar nisso e acompanhar os projetos de lei aprovadas recentemente, as PLs da educação que precarizam ainda mais o trabalho dos professores. E quem achar que deve ser um"amigo da escola", não deve esquecer da quantidade de impostos que paga para ir lá pintar as paredes que estão caindo por falta de responsabilidade do Estado. Estamos apenas lutando para que todos possam ter o direito de cursar uma escola e universidade públicas com qualidade.
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Permita-me discordar caso esteja tentando dizer que o sistema político da Usp é perfeito ou mesmo "bom", um ambiente tão heterogênio deveria ter mais "focos" de poder político, onde alunos, representantes de cursos, funcionários teriam mais voz.
Como uma entidade pública de ensino e autônoma, ter todas as decisões rogadas a alguns eruditos e membros da sociedade, parece-me mínimamente "impositivo".
A melhora nos sistemas só acontesse quando há o maior número de cabeças pensando.
Aliás, se possível, explique melhor o sistema americano, se não, obrigado assim mesmo.
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