Educação
21/07/2009 - 09h39

Organizar estudo é o maior benefício do cursinho

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RICARDO GALLO
da Folha de S.Paulo

Gislaine decidiu encarar as aulas de cursinho porque quer entrar em direito na USP. Renata, não: para tentar vaga em veterinária em universidade pública, ela estuda em casa.

Qual o melhor método? O Fovest ouviu especialistas e conversou com alunos. E a resposta é... depende. Se o vestibulando for organizado e tiver boa formação escolar, tem chances de passar sozinho; caso contrário, precisa de ajuda.

"Cursinho não é bom nem ruim. É um recurso adequado para aqueles aos quais faltou conteúdo [no ensino médio]", diz o psicoterapeuta e consultor vocacional Leo Fraiman.

Segundo ele, a receita de sucesso no vestibular começa cedo, com um bom rendimento no ensino fundamental e, mais tarde, no médio. Ter hábito de ler e de estudar ajuda bastante.

Crítico do modelo, o pedagogo Silvio Bock afirma que cursinho "molda" o aluno especificamente para o vestibular e não o prepara de fato. "O cursinho é uma anomalia do sistema. Se fosse tão bom a ponto de dar em um ano todo o conhecimento que o colégio não consegue dar em três, teríamos a resposta para o ensino médio."

Há outro problema, diz: pré-vestibulares exigem também um ritmo intenso de estudos fora da sala de aula. "Por si só, o cursinho não adianta nada."

Se há um mérito, disse ele, é o de organizar o estudo do aluno, "ao reproduzir um pouco o sistema escolar, com cobranças, lição de casa".

"O aluno pode estudar sozinho? Pode. Mas vai precisar de alguma base e de muita disciplina, o que a maioria não tem."

Diretor do COC, Tadeu Terra afirma que é "inquestionável" o resultado obtido pelos cursinhos, que, segundo ele, organizam e roteirizam o estudo, além de "potencializar" o rendimento do aluno. "Nos cursos mais concorridos, é quase inexistente a aprovação de quem não tenha feito ao menos um ano de cursinho."

Na USP, 54% dos alunos fizeram cursinho; em medicina, um dos cursos mais disputados, o índice sobe para 71%.

Necessidade

Para Gislaine Tartuci da Silva, 19, aluna de escola pública a vida toda, fazer cursinho foi necessidade. "O conteúdo no ensino médio é insuficiente para ter acesso à universidade." Ela está há um ano e meio no cursinho do XI de Agosto, no centro.

Já para Renata Haddad, 17, no terceiro ano de uma escola particular, o clima de "competição" do cursinho era tudo o que ela não queria. "Escolhi o meu bem-estar. Cursinho com colégio é muito puxado. E em casa eu posso estudar a hora em que quiser, sem aquela pressão de cursinho."

Ela pegou emprestado da prima apostilas de cursinho e estabeleceu um cronograma de estudos até outubro. A cada dia, estuda cerca de cinco horas. As dúvidas, Renata tira no colégio.

 

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