Preparatórios oferecem cursos específicos para o novo Enem
PATRÍCIA GOMES
da Folha de S.Paulo
Domingo, 9h da manhã. Duzentos e noventa alunos se dividem em duas salas dispostos a ter dez horas seguidas de aula preparatória para o Enem.
Andressa Rocha, 18, é uma delas. Ela saiu às 7h30 de casa, pegou trem, ônibus e chegou para a aula gratuita promovida pelo cursinho Henfil, uma das formas que o instituto encontrou para preparar os alunos especificamente para o exame.
O curso está reformulando o material didático para atender às novas exigências da prova e aumentou de dois para cinco dias por semana a carga horária do curso Enem que já oferecia.
Mas não é só no Henfil que a corrida preparatória para o exame começou. A dois meses e meio da prova, os pré-vestibulares estão terminando de replanejar cursos que atendam à demanda dos alunos.
O Anglo, por exemplo, nem tinha curso específico. Mas neste ano, diante das alterações e do pedido dos alunos, vai oferecer um curso que vai de agosto até a véspera da prova.
Segundo o coordenador do Anglo, Alberto Francisco do Nascimento, o programa prevê aulas de exposição do conteúdo, de resolução de questão e simulado com dois dias de prova.
No cursinho da Poli as alterações do novo Enem também fizeram com que as aulas fossem repensadas. O curso já oferecia uma preparação específica de um mês desde 2006. Neste ano, serão dois meses. "O aluno deve relacionar o conteúdo com seu dia a dia", diz Gilberto Alvarez, o coordenador do curso.
Apesar das mudanças que preocupam alunos e professores, o Intergraus aposta na manutenção do tipo de pergunta e oferece um curso de resolução de questões. "A cara da questão não vai ser muito diferente, não vai depender de disciplinas memorizadas", diz Carlos Alberto Ciscato, coordenador do curso.
Diferenças metodológicas à parte, os cursinhos são unânimes em dizer que, na reta final, interpretação de texto e familiarização com as questões é o que mais importa. "O aluno será convidado a interpretar. É fundamental que ele faça exercícios de outras edições do Enem", diz Mateus Prado, presidente do Instituto Henfil.
Já no CPV, não será pelas aulas tradicionais, com professor, quadro e giz, que o aluno terá uma preparação para o Enem.
O curso prevê já para o início de agosto que uma ferramenta on-line chamada de blackboard entre no ar para seus alunos.
"A plataforma tem chat, fóruns, aulas com videoconferência, enfim, um ambiente escolar virtual para auxiliar no ensino fora do curso", diz Marcelo Chumer, diretor financeiro do grupo e responsável pela implantação da ferramenta.
Abaixo da meta
Apesar da reformulação do Enem neste ano, o número de inscritos não alcançou a meta do Inep (responsável pelo exame). O órgão esperava 6 milhões, mas foram 4.576.126 inscritos ou 14,3% a mais do que ano passado, quando o Enem tinha menor adesão entre as universidades. Ainda assim o número de inscrições registradas neste ano foi recorde.
Leia mais sobre o Novo Enem
- Enem recebe mais de 4,5 milhões de inscrições; taxa deve ser paga até 4ª
- Leia íntegra do bate-papo com diretor do MEC sobre o novo Enem
- Unicamp aceitará Enem de quem zerar na redação
- Curso pouco concorrido adere mais ao "Enem-vestibular"
- Enem terá horário especial para religiosos
Leia outras notícias da editoria de Educação
- Organizar estudo é o maior benefício do cursinho
- MEC terá mais verba para ônibus escolares
- Enem recebe mais de 4,5 milhões de inscrições; taxa deve ser paga até 4ª
- MEC pagou R$ 257 milhões por escolas técnicas que não saíram do papel
- Novo presidente da UNE defende patrocínio público para entidades estudantis
Especial
Livraria


