RESUMÃO-ATUALIDADES: Tragédia norte-americana
ROBERTO CANDELORIespecial para a Folha de S.Paulo
Inacreditável. Dois dos maiores símbolos da América estavam em ruínas. O Pentágono, em Washington, centro da inteligência americana, e as torres gêmeas do World Trade Center, em Nova York, ícone maior da superioridade econômica da América, viraram escombros. É surpreendente que o terror tenha chegado tão próximo à ficção. Inimigo sem rosto fundado na imprevisibilidade e no desprezo pela vida de inocentes, o terrorismo representa um atentado contra a humanidade.
Às primeiras imagens dessa catástrofe, já se apontavam os prováveis suspeitos: árabes islâmicos. Esquecia-se de que o último atentado em Oklahoma, em 1995, tivera sido obra de um cidadão americano, Timothy McVeigh, herói da Guerra do Golfo, executado em junho.
Mas, dessa vez, o primeiro nome anunciado foi o de Osama Bin Laden, considerado o inimigo número um dos EUA. Especula-se que o milionário saudita esteja vivendo sob a proteção dos radicais do Taleban. George W. Bush prometeu retaliação. Tudo indica que o Afeganistão será o primeiro alvo. Em seguida, deve sobrar também para o Iraque e para a Líbia de Gaddafi, apontados como financiadores do terrorismo.
Acusada de apoiar Bin Laden, a milícia Taleban, que controla mais de 90% do Afeganistão, já teve a simpatia dos EUA. Quando as tropas soviéticas chegaram a Cabul, em 1979, com o objetivo de colocar no poder um regime pró-Moscou, os americanos armaram a guerrilha muçulmana, os mujahidin, na luta contra a invasão comunista. Convencionou-se chamar o episódio de "Vietnã soviético", visto que ficaram dez anos em território afegão, perderam milhares de jovens e saíram humilhados. Como os paradigmas da Guerra Fria não valiam mais, americanos e soviéticos simplesmente abandonaram o Afeganistão à sorte da miséria e do radicalismo do Taleban.
O regime de Cabul promete resistir à ameaça americana e para isso convoca uma guerra santa do mundo árabe contra os inimigos do islã. Bush declara que os Estados Unidos estão em guerra. Retaliação e vingança são os apelos do momento.
A política externa de Bush tem-se pautado por medidas unilaterais. Ele não referendou o Protocolo de Kyoto, abandonou a conferência contra o racismo e, ao contrário de Bill Clinton, nega-se a assumir seu papel de mediador na crise entre palestinos e israelenses. Agora, promete vingança. Impossível negar, a intolerância trouxe o terror para Manhattan.
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Roberto Candelori é coordenador da Cia. de Ética, professor da Escola Móbile e do Objetivo
Fovest - 20.set.2001
RESUMÃO

