Lula diz que vazamento do Enem prejudica estudantes, não o governo
MÁRCIO FALCÃO
da Folha Online, em Brasília
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva insinuou nesta sexta-feira que o furto da prova do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) foi uma artimanha política para prejudicar o governo, mas que resultou no prejuízo para o ingresso de estudantes na universidade.
Estudante que desistir do Enem deve pedir reembolso por carta
Entenda o caso sobre o desvio das provas do Enem
O presidente chamou de irresponsável a pessoa responsável por vazar o conteúdo do exame. O Enem seria realizado no fim de semana passado para 4,1 milhões de estudantes de todo o país, mas foi cancelado depois que parte da prova foi divulgada pela imprensa.
"Eu não sei se tinha alguém que se sente prejudicado pelo Enem, que resolveu fazer com que o Enem não desse certo neste ano. Se a pessoa pensou que estava prejudicando o governo, a pessoa, na verdade, foi um irresponsável que prejudicou a tentativa de jovens, através do Enem, entrar na universidade. Retardou pelo menos a pretensão desses jovens", disse.
O presidente afirmou que a situação do vazamento é curiosa. "Eu, sinceramente, não posso acreditar que o momento em que está vivendo o Brasil, alguém tivesse a intenção de roubar uma prova do Enem e levar para a imprensa, veja, porque antigamente se levava para vender aos cursinhos", afirmou.
Apesar das insinuações, o presidente disse que não poderia apontar os responsáveis e que é preciso investigar.
A Polícia Federal indiciou cinco pessoas pelo vazamento do exame. O delegado Marcelo Baltazar descartou qualquer suspeita de motivação política no caso. Foram indiciados Felipe Pradella, Felipe Ribeiro e Marcelo Sena --funcionários da Cetro, uma das três empresas que compõem o consórcio Connasel, então responsável pela elaboração e aplicação do Enem--, o empresário Luciano Rodrigues, dono de uma pizzaria nos Jardins, e o DJ Gregory Camillo de Oliveira Craid.
As provas do Enem foram remarcadas para os dias 5 e 6 de dezembro. Os estudantes que não quiserem ou não puderem fazer a prova devem enviar uma carta para o Inep (Instituto Nacional de Pesquisas Educacionais) fazendo a solicitação de reembolso.
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